O ONS (Operador Nacional do Sistema) diz que o apagão do dia 19 não foi blackout, mas corte preventivo de abastecimento porque o consumo na região Sul-Sudeste atingiu o pico de 51.596 MW. Já o ministro das Minas e Energia disse que a anomalia se deu por problema na linha de Furnas que interliga os sistemas Norte e Sul. Disse mas anunciou a reentrada em operação de térmicas da Petrobras que estavam paradas, aumentou a potência de Itaipu para a região Sul-Sudeste e revelou preocupação com os níveis dos reservatórios. Espera milagre: ‘Deus é brasileiro e não deixará acontecer o pior.”
Afora a divergência de informações, abastecimento elétrico do país é crise anunciada. Há pelo menos duas décadas técnicos dizem que o Brasil só não teve prolongados períodos de racionamento porque a economia diminuiu o ritmo. Dificuldades de licenciamento ambiental e problemas com populações de áreas a serem afetadas retardam a construção e operação de novas hidrelétricas e termoelétricas. Políticas de conservação de energia não têm sido eficientes, mesmo com trocas de lâmpadas e de equipamentos por outros menos consumidores. A popularização do ar-condicionado antecipou o pico de consumo — antes era ao anoitecer, quando todos ligavam o chuveiro elétrico — para o meio da tarde. De quebra, existem problemas pontuais das distribuidoras que geram muita reclamação de consumidores mal atendidos.
Eletricidade continua insumo indispensável. Equipamentos do comércio, indústria e prestadores de serviços e utensílios do lar, são elétricos. Computadores e periféricos também. O governo, detentor de concessões para serviços de infra-estrutura, precisa garantir abastecimento e equilibrar produção e consumo. É sua a tarefa de executar serviços de sua competência e, principalmente, fiscalizar e exigir regularidade dos concessionários. Até racionamento seria válido para evitar colapso...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Articulista
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