Sobre água e energia elétrica


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Os constantes problemas verificados na oferta de água e de energia elétrica, que vêm afetando grande parte dos Estados do País, não são apenas culpa das mudanças climáticas verificadas nos últimos anos. Parte disso tudo — que o aumento das tarifas não irá resolver — foi causado pelo baixo investimento ao longo de décadas nos dois setores. Políticos brasileiros, que já consideraram “obras enterradas”, de infraestrutura, como redes de captação e transmissão, “inúteis” para se conseguirem votos, ainda agem no sentido de deixar uma “marca” visível, em detrimento do bem estar daqueles que os elegeram.
 
No caso da crise hídrica, que atinge os mais populosos Estados do País (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais), não apenas a estiagem prolongada é responsável pela exiguidade atual. Há anos se alerta para a finitude do recurso e para as mudanças climáticas, que poderiam deixar as empresas distribuidoras sem ação. A falta de investimentos em novas fontes, como o reaproveitamento das águas da chuva, o tratamento de esgotos e até o desperdício, acabam sendo a principal causa do racionamento, finalmente admitido pelo governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB). O uso consciente da água é cobrado do consumidor, mas o Estado também tem deixado de fazer sua parte: na maioria das cidades paulistas, a rede de captação e distribuição é antiga e os vazamentos e “estouros” desperdiçam um grande volume que poderia estar sendo aproveitado no abastecimento.
 
No caso da energia elétrica, o Brasil continua ancorando a sua geração nas usinas hidrelétricas, as quais dependem do alto nível dos rios para funcionarem. Além de não acelerar a construção de novas usinas (pelo menos sete anunciadas há vários anos ainda não estão funcionando), o País carece de estudos para o desenvolvimento de novas tecnologias, como a energia eólica e a captação através de placas solares. Atualmente, está em desenvolvimento um mecanismo capaz de transformar as ondas do mar em energia elétrica, mas ainda não no Brasil. No caso da energia solar, não há qualquer estímulo que leve o consumidor a adotá-la: a tecnologia ainda é cara e proibitiva à maioria dos brasileiros. Neste caso, o subsídio seria bem-vindo e capaz de permitir o desafogo de um sistema já sobrecarregado.
 
Os administradores públicos brasileiros precisam entender que, caso não haja uma reação rápida, a situação pode se deteriorar ainda mais, mergulhando o brasileiro num racionamento de água prolongado e responsável por apagões constantes. A administração pública não se resume apenas em gerir o dinheiro dos impostos — o que, aliás, há anos vem sendo feito de forma descontrolada — e aplicá-los visando aos dividendos eleitorais. É necessário que os problemas sejam detectados antecipadamente e se apliquem recursos para que não aconteçam. Não é o que se vê hoje no Brasil. A mentalidade precisa mudar. Antes que o País chegue numa encruzilhada para a qual não haverá mais alternativas, penalizando ainda mais a nossa população.
 
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