O valor da dívida dos francanos com nome no vermelho cresceu mais de seis vezes em um ano e atingiu a bagatela de R$ 61.002.721,90 em 2014. No ano anterior, o valor devido fechou em R$ 9.765.122,57. Os dados são da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) e foram extraídos do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), alimentado por dados informados pelos 3.500 associados da entidade.
Para o economista Hélio Braga, a queda na geração de novos postos de trabalho e consequente aumento do desemprego estão entre as causas do aumento do endividamento, além da alta na taxa de juros e inflação. “Ainda não vejo uma situação crítica de desemprego em Franca, mas esse fator pode ter colaborado para o aumento. As altas taxas de juros e a inflação crescente corroem o orçamento das famílias, pois os salários não acompanharam essas altas. Temos visto aumento em vários setores, como alimento, combustível, e Franca é uma cidade cuja média salarial é baixa e não acompanhou os aumentos.”.
Os dados do SCPC mostram que no ranking das empresas com maior número de clientes em débito aparecem um varejão, escola, imobiliária, financeira e os planos de saúde. Segundo Braga, o aumento no endividamento pode ser reflexo da facilidade de crédito oferecida nos anos anteriores. “O governo estimulou o consumo, com isenções de tarifas para carros e linha branca, por exemplo. O reflexo disso está sendo sentido agora, pois chegamos a um limite. Como o pessoal não se preocupou tanto com a saúde financeira e continuou gastando e contraindo crédito em anos anteriores, o resultado está sendo sentido agora.”.
O economista Antônio Vicente Golfeto afirma que a dívida de agora é fruto da oferta de crédito de anos atrás. “A inadimplência é filha do crédito. O consumo não pode ser maior que a renda e a facilidade do crédito causa essa ilusão.”.
A professora Raquel Gonçalves, 41, foi uma das que integraram o cadastro de devedores nos últimos dois anos. Ela conseguiu quitar na última semana uma dívida de R$ 2 mil com um banco e aguarda seu nome ser retirado do SCPC. “Fiquei desempregada e acabei me enrolando. O problema é que ter o nome sujo atrapalha muito.”
No azul
A fórmula para quitar as dívidas não é secreta. Economistas sugerem que o devedor comece fazendo um planejamento orçamentário. “É preciso criar uma planilha de gastos mensais e confrontar esse número com a renda da família. Se os gastos forem maior, é necessário fazer cortes”, disse Braga.
O especialista diz ainda que uma das saídas para acabar com as contas atrasadas é renegociar. “O devedor deve negociar diretamente com o fornecedor e, depois de cobrir o buraco nas contas, evitar aventuras financeiras.” A Acif oferece a seus associados serviço de cobrança aos devedores e garante o parcelamento da dívida. Descontos podem ser concedidos, dependendo da negociação entre as partes.
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