As ruas e avenidas de Franca são palco de uma guerra silenciosa que mata, machuca muita gente e causa incalculável prejuízo com a perda de vidas, gastos com internações, reabilitação, danos materiais e fim de carreira produtiva. Dados obtidos pelo Comércio, e confirmados pela estatística oficial da Secretaria de Segurança Pública do Estado, revelam que os acidentes de trânsito mataram 41 pessoas na cidade em 2014. O número representa mais do que o dobro das mortes provocadas por arma de fogo no mesmo período: 17. As batidas também deixaram mais de 1,4 mil vítimas, muitas com graves fraturas e sequelas para o resto da vida. Desrespeito às regras, embriaguez ao volante, motos e jovens. Esta combinação esteve presente na maior parte das ocorrências.
No ano passado, os Bombeiros foram chamados para atender a 2,3 mil acidentes em Franca. Em cerca de 40% das ocorrências, uma moto estava envolvida. Em média, acontecem 100 batidas com este tipo de veículo todos os meses na cidade. As vítimas mais frequentes têm de 18 a 30 anos.
O número de mortos em 2014 foi superior ao de 2013, quando 39 pessoas morreram por causa de batidas ou atropelamentos. O total de feridos caiu de 1.935 para 1.434. As autoridades, que se depararam com ocorrências todos os dias, não têm dúvidas sobre as causas de tantas mortes e machucados no trânsito de Franca.
“O inimigo, o fator preponderante do acidente, é a velocidade. Observamos um grande desrespeito às regras de trânsito. O condutor precisa usar o veículo como uma ferramenta de trabalho e de lazer e, não, como uma arma”, afirma o tenente Marcel Filippin, comandante do posto do Corpo de Bombeiros em Franca.
Abusos
O avanço ao sinal vermelho, o consumo de bebida alcoólica e drogas e a distração com o celular ou manuseio do som também são comportamentos que contribuem para a ocorrência de acidentes.
Um exemplo, registrado dia 14 de dezembro, no Bairro Santa Terezinha, ilustra com precisão os abusos cometidos pelos motoristas e explica por que morre tanta gente nas ruas da cidade: bêbado, o pedreiro Fernando Rodrigues de Souza, 40, não obedeceu ao sinal de pare e atropelou um casal que estava em uma moto. Os jovens Juliana Cristina Lopes, de apenas 23 anos, e Júnior César Barbosa, 28, morreram na hora.
O motorista fugiu sem prestar socorro às vítimas e se apresentou dias depois à polícia. “O acidente de trânsito é um problema endêmico das grandes cidades. Franca não fica fora disso. Temos que encarar o problema para fazer os números caírem. Uma vítima já seria o suficiente para nossa atenção, pois temos como mote a prevenção”, disse Marcel Filippin.
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