Ecos de imigração: os japoneses e nós


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A eles devemos principalmente o manejo da comida fria. Sabemos como é arraigado em nós a necessidade do prato quentinho para ser chamado de refeição
A eles devemos principalmente o manejo da comida fria. Sabemos como é arraigado em nós a necessidade do prato quentinho para ser chamado de refeição
Recebi a encomenda de um pequeno texto que tratasse das influências dos imigrantes na nossa cultura gastronômica e simplesmente não consigo desvincular o teor de meu texto, por mais arroz com feijão que ele deva ser, dos recentes acontecimentos na França, que expõem, penso, de modo inequívoco, o grande medo do mundo atual (depois da falta d’água): o confronto cultural. O mundo sem fronteiras nos apresentou uns aos outros, mas nem todos se apertaram as mãos.
 
Existem povos refratários, existem povos absorventes - e nós, brasileiros, somos absorventes em primeiro grau. Às vezes até demais. E se é fato que durante muito tempo fomos tratados como bobos e explorados até os ossos, no final de contas parciais, aprendemos muito com todo mundo. 
 
Vejamos o interessante caso do imigrante japonês. Quem se arriscaria dizer o que foi que verdadeiramente aprendemos com eles? Não falo da febre altamente contagiosa em que se transformou a comida japonesa, esse fenômeno recente tem muito mais a ver com a globalização, com o fast food, etc - uma moda que certamente ficará. Falo do imigrante propriamente dito, daquele que veio para o Brasil por volta de 1908, início do século passado, fugindo do Japão para encontrar trabalho e paz. 
 
Assentaram-se em colônias, que se concentravam principalmente no Mato Grosso, em São Paulo e Paraná. Em números absolutos nem se comparam com a imigração italiana - ainda assim 180 mil pessoas foram capazes de nos modificar um pouquinho. Devido ao intercâmbio cultural aprendemos e ensinamos.
 
Aos japoneses devemos principalmente o manejo da comida fria. Sabemos como é arraigado em nós a necessidade do prato quentinho para que seja chamado de refeição. A aceitação das hortaliças cruas, a mudança no uso do tomate, por exemplo, que era utilizado em molhos: a célebre saladinha de tomate apreendemos dos japoneses. A técnica dos picles parece americana, mas foram os japoneses que nos ensinaram. Nos mostraram os cogumelos, a laranja Ponkan. Aperfeiçoaram a maneira de servir e temperar: pepinos, couve-flor, pimentão, berinjela. 
 
Mas, principalmente, estão ligados à introdução dos chás preto e verde no Brasil em escala industrial. Os japoneses tinham o hábito de beber o chá verde em seu país de origem, ao desembarcarem aqui, perceberam que, para manter o hábito, teriam eles que cultivá-lo. Com isso, inauguraram uma nova cultura: a teicultura, que é o cultivo dos chazais. E, bem ao estilo japonês, demoramos um pouco, mas acabamos por adotar também a moda do chá verde.
 
 
DICA DA SEMANA
 
Gelatina
 
Parece coisa bem simples, afinal a explicação consta no rótulo. Mas trabalhar com gelatina incolor é uma tarefa ingrata, não raro ela empelota ou não consegue endurecer a preparação de forma conveniente. E qual é o problema? O choque de temperatura.
 
Deve-se atentar para a capacidade de endurecimento da gelatina. Isso as receitas normalmente trazem. Aconselho a serem bem menos generosas, normalmente a conta que se faz dá um preparo muito duro e fica muito ruim.
 
Mas a principal dica é que se deve dissolvê-la conforme indicado e testar a temperatura do preparo com a temperatura da gelatina - qualquer coisa, utilize um batedor de arame para esfriar a gelatina, mas é fundamental que ambos estejam na mesma temperatura; a do ambiente.
 
Outra coisa, a gelatina deve ser acrescentada por último e apenas misturada a mão ou no modo pulsar do liquidificador. 

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