Um ano difícil para o trabalho


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Depois de um ano bastante difícil, os trabalhadores brasileiros não terão muito a comemorar em 2015, do qual não trancorreu um mês. Depois de verem a nova equipe econômica de Dilma Rousseff (PT) criar restrições para a obtenção de alguns benefícios, uma entrevista do ministro Joaquim Levy, publicada ontem pelo jornal britânico Financial Times, demonstra que há novas movimentações no sentido de se mexer ainda mais nestes direitos, principalmente os que envolvem os benefícios previdenciários e o seguro-desemprego.
 
O ministro da Fazenda afirmou que o atual modelo de auxílio-desemprego do país está ‘completamente ultrapassado’. Em inglês, Levy utilizou a expressão ‘out-of-date’ (em tradução livre, obsoleto ou ultrapassado) para se referir ao sistema de benefícios previdenciários. Ele citou a necessidade de ‘livrar-se de subsídios e ajustar os preços’ como providências imediatas de sua política fiscal. No fim do ano passado, o acesso a auxílios previdenciários como pensão por morte e seguro-desemprego ficou mais rigoroso após a edição de medidas provisórias. A medida pode ser considerada uma “minirreforma previdenciária”, parte do pacote do “período de austeridade” anunciado pelo ministro.
 
Ou seja: está em curso uma tentativa de modificar as regras da Previdência que podem envolver o aumento do porcentual descontado da folha de pagamento do trabalhador brasileiro. Também não há garantias de que prazos e exigências para aposentadorias sejam mantidos. E esta declaração do ministro sai no mesmo dia em que o Ministério do Trabalho e Emprego divulgou que o Brasil fechou 2014 com o pior resultado em criação de empregos desde 2002, de acordo com os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
 
Ao contrário das estimativas do próprio MTE, que esperava um incremento de 2 milhões de vagas no ano passado foram criadas apenas 396.993 postos de trabalho, uma queda de 65% em relação a 2013m quando o saldo foi de 1.138.562 vagas. O balanço do Caged aponta que o mercado de trabalho fechou 555.508 vagas em dezembro, um número recorde e o pior desde 2008, quando foram cortados 654.946 postos. O panorama indica que o governo terá dificuldade em manter a taxa de desemprego em patamar baixo em 2015. Desde 2010, os dados do Caged apontam para a desaceleração da criação de empregos formais. 
 
Tudo isso vem no mesmo momento em que prognósticos apontam: as medidas de ajuste adotadas pelo governo não irão beneficiar o emprego neste ano. Se as ‘maldades’ anunciadas recentemente não conseguirem alavancar a economia e o setor produtivo brasileiro, a classe trabalhadora, que no momento é a que está sendo mais exigida, será fortemente penalizada. Analistas apontam para uma possível recessão, o que pode piorar ainda mais o cenário que se desenha até aqui. A torcida é para que isto não aconteça, pelo bem do trabalhador brasileiro.
 
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