Frequentadores da Estação convivem com insegurança, descaso e abandono


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Projeto da Feac, apresentado em maio de 2014, pretende investir R$ 4 milhões na revitalização da antiga Mogiana, hoje, pichada, suja e com vidros quebrados
Projeto da Feac, apresentado em maio de 2014, pretende investir R$ 4 milhões na revitalização da antiga Mogiana, hoje, pichada, suja e com vidros quebrados
O bairro da Estação, um dos mais antigos e tradicionais de Franca, atualmente é sinônimo de descaso e abandono. Os frequentadores e moradores da região relatam a constante ocorrência de furtos nas imediações e reclamam da corriqueira mendicância que acontece na região. O abandono das praças, prédios e monumentos do bairro é outra queixa dos cidadãos que pedem ainda infraestrutura para o terminal de ônibus da praça Sabino Loureiro, local onde o programa Hora da Verdade Itinerante, da rádio Difusora, foi transmitido ontem. A edição dessa sexta foi a primeira transmitida das ruas na temporada 2015 do programa apresentado por Leandro Vaz, com comentários do jornalista Corrêa Neves Júnior.
 
Os comerciantes dos arredores da praça sentem falta de um patrulhamento mais constante na região. “Não posso deixar os manequins expostos na vitrine à noite, pois quando deixo, vândalos sempre quebram os vidros”, disse a gerente de uma loja de roupas que fica na rua General Carneiro, Tamires Andrade.
 
O gerente de uma lotérica, também localizada na General Carneiro, Eduardo Faciroli, concorda que falta vigilância na Sabino Loureiro. “Já reclamamos diversas vezes da falta de policiamento. Colocaram uma unidade móvel da PM aqui na Estação algumas vezes, mas ela fica na praça do Magazine Luiza (praça Barão de Luca). Mas aqui (Sabino Loureiro), a circulação de pessoas é maior. Também a unidade fica poucos dias e vai embora”, disse Faciroli, que trabalha na lotérica há 15 anos e relata ainda que é frequente a presença de moradores de rua no local. 
 
De fato, durante a transmissão do Hora da Verdade, a reportagem encontrou dois homens sentados nos bancos da Sabino Loureiro “equipados” com cobertores e garrafas de pinga. Também por volta das 13 horas, outra moradora de rua dormia em um banco que fica ao lado da antiga estação ferroviária da Mogiana.
 
A dona de casa Maria Miranda, 60, mora na Estação há seis anos. Sua residência já foi furtada duas vezes no período. “Meses atrás, entraram na clínica de estética que ficava a três casas da minha. Levaram o dinheiro e quase estupraram a moça que trabalha lá, isso às 10 horas da manhã.”
 
A Polícia Militar informou em nota que “realiza o policiamento ostensivo preventivo, de acordo com os índices criminais, diuturnamente por viaturas do setor, além de viaturas de apoio (...) Ocorrências que envolvam andarilhos normalmente são de cunho social, limitando a atuação da Polícia Militar, sendo as de cunho criminal resolvidas de acordo com a lei.”
 
Descaso
O estado de abandono que os prédios, praças e monumentos da Estação se encontram também é alvo de reclamação dos frequentadores das imediações. As plantas que eram para existir nos canteiros que ficam no centro dos bancos da praça Sabino Loureiro deram lugar ao lixo de diversas espécies. São papéis, garrafas plásticas, isopor e até guarda-chuvas e bonés. “Aqui parece que estamos esquecidos. A praça está sempre suja e, para mim, falta um cuidado maior”, disse Tamires.
 
O prédio da antiga Mogiana é outro símbolo do descaso na Estação. O lugar está pichado, com a tinta gasta e cheio de sujeira. Os vidros das portas e janelas também estão quebrados. Desde meados de 2013, vereadores tentam aprovar um projeto para a revitalização da Estação. Em maio de 2014, a Feac (Fundação Esporte Arte e Cultura) apresentou um projeto, no valor de R$ 4 milhões, para transformar o prédio da antiga estação ferroviária em uma Estação Cultural. Até hoje, nada saiu do papel.
 
Uma das fachadas do Clube dos Bagres, na rua General Osório, também é alvo do descaso e do vandalismo e possui diversas pichações e vidros quebrados. Sem contar a estátua intitulada “Índio”, localizada na praça Barão de Luca, que continua sendo jazigo de um animal morto. O Comércio já havia relatado a “nova função” do monumento em reportagem publicada na edição de 4 de janeiro.
 
Terminal
O autônomo Eduardo Oliveira utilizou os microfones da Difusora ontem para relatar a situação do terminal rodoviário da Estação. “Aqui não tem banheiro. Quando chove, a gente molha tudo. Isso aqui está abandonado.”
 
A autônoma Isabel Filetto também sente falta de banheiros no terminal de ônibus. “Uso aqui sempre para pegar ônibus, pois moro perto e acho que esse terminal está esquecido. O do Centro, que foi construído depois, tem cobertura e banheiro, não entendo por que aqui não tem.”
 
A reportagem do Comércio questionou, por e-mail, a assessoria de imprensa da Prefeitura e a Secretaria de Ação Social sobre a situação do projeto de revitalização da Estação e sobre a presença de mendigos na região, mas não recebeu nenhum retorno até o fechamento desta edição.

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