As previsões negativas feitas pelo Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) se confirmaram. Em 2014, o setor industrial da cidade encolheu. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, só nos últimos 12 meses, as fábricas da cidade fecharam 2.371 postos de trabalho, uma queda de quase 7% no total de vagas do setor. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado nessa sexta-feira.
Os números são ainda piores em comparação ao desempenho da indústria em 2013, quando o setor abriu 1.104 novos postos de trabalho.
Em julho do ano passado, durante a Francal 2014, o presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão, já alertava para um ano ruim. Na época, ele estimava encerrar o ano com cerca de 5 mil postos a menos. “Fizemos uma nova projeção em outubro e estimávamos uma perda de 8 mil postos só no setor calçadista. Os números divulgados se referem a toda a indústria. Agora precisamos ver como foi o desempenho do calçado”, disse ontem.
Para ele, os principais fatores que empurraram os números para baixo foram a Copa - que, ao contrário do que se esperava, não trouxe grandes vendas para o setor - e as eleições. “A incerteza sobre o futuro político do país refletiu diretamente na insegurança do empresário e no resultado do ano passado.”
Para Brigagão, o balanço apresentado pelo governo ontem sinaliza para um primeiro trimestre de 2015 muito ruim. “Já vimos que o governo federal quer sanear as contas públicas, tomando medidas que afetarão diretamente a economia e o consumo. Em um cenário assim, acho muito difícil que consigamos uma reviravolta ainda neste primeiro trimestre.”
O presidente do Sindifranca evitou falar em números para 2015. “Temos que destrinchar primeiro o que foi apresentado ontem e ver como a indústria vai reagir neste começo de ano. Só depois poderemos fazer projeções. O que posso garantir é que não será um bom ano.”
No geral
O resultado do emprego na cidade em 2014 só não foi pior porque os setores de prestação de serviços e comércio conseguiram compensar as perdas da indústria e geraram quase 1,6 mil vagas. Mesmo assim, o saldo entre admitidos e demitidos na cidade ficou negativo, com 1.387 vagas de empregos a menos. Em 2013, Franca fechou o ano com 3.341 novas vagas criadas.
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