O Seminário Diocesano Nossa Senhora do Patrocínio e cerca de dez casas que ficam nas imediações ficaram sem energia elétrica por 27 horas entre a última quarta e quinta-feira. O lugar fica no quilômetro 4 da rodovia para Ribeirão Corrente. Os moradores dizem que o problema é constante e reclamam dos prejuízos causados pelos apagões.
O casal de caseiros do seminário, Carlos e Sueli Carvalho, contou que a CPFL Paulista chegou a informar que a região ficaria sem luz do meio-dia às 18 horas na quarta-feira, por conta de uma manutenção na rede. A energia voltou a ser restabelecida no horário prometido, mas foi novamente interrompida cerca de uma hora depois. “Acho que é porque choveu, pois o problema acontece sempre que chove”, disse Carlos, que mora no seminário com a mulher há 15 anos.
“A gente compra esses pacotes de pão congelado para assar aqui para os seminaristas, mas está tudo mole, virou uma coisa só, acho que nem dá mais para assar”, comentou Sueli, que afirma ter perdido dezenas de pães congelados.
O trabalho da lavadeira do seminário, Lídia Borges, 33, também ficou parado por conta da falta de luz. “No dia que não estou lavando as roupas na máquina, estou passando. Então, não dá para fazer nada sem luz.”
O vendedor Abisai Gonçalves, 46, mora há um ano e meio em uma chácara próxima ao seminário e teve o trabalho prejudicado por conta do apagão. “Meu escritório é em casa e, sem luz, não tem como ver os pedidos, olhar o e-mail, não dá pra fazer nada.” Ele culpa a ligação das casas da região à rede rural pelo constante problema. “Estamos a 200 metros da rede urbana. Se nossa energia fosse ligada a essa rede, não teríamos problema.”
Outro morador do lugar, o autônomo Eliezer José Gonçalves, 48, foi ao Procon ontem registrar uma reclamação contra a CPFL. “Perdi uns R$ 200 em alimentos que estragaram na minha geladeira.”
Segundo o advogado especialista em direito do consumidor Denílson Carvalho, quem for lesado pela interrupção no fornecimento de energia pode entrar na Justiça e pedir restituição dos prejuízos. “É importante que a pessoa tenha a prova dos prejuízos materiais, como o alimento perdido, o aparelho queimado. Com isso, a pessoa pode requerer tanto o ressarcimento dos prejuízos quanto indenização por dano moral”, disse. “Se o valor requerido for menor que 20 salários mínimos, a pessoa nem precisa de advogado e pode ir direto a um Juizado de Pequenas Causas”, completou.
A energia voltou a ser restabelecida por volta das 17 horas de ontem na região. Antes do retorno da luz, a CPFL havia informado, em nota, que “enviou novamente uma equipe técnica para realizar análise e manutenção da rede elétrica local na tarde de hoje (ontem).”
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