O banal, o corriqueiro me distrai das coisas relevantes. É bom. Não conseguiria de outra forma. Focar nas grandes questões enquanto se acorda, trabalha, se exercita, vai ao cinema, almoça em família...a vida não flui. Mas, aí, quando ele aparece, o sério, o importante, o susto é impactante. A gente sai da ciranda e é levado para este lugar. Grandioso, escuro, complicado. Doloroso, às vezes. Após o desassossego, lá fora, a vida segue. Tudo está normal, mas diferente. O olhar alertado, os passos mais cautelosos, o vermelho mais escuro, o coração, um pouquinho mais forte. O nascer do sol –esse sempre nasce – muda de tom. Mas, a vida segue, e, é preciso ir adiante e continuar vendo os sorrisos, as cores, o dia claro e azul, a beleza da pequenez das coisas. Tudo é passageiro e efêmero. Substituível. Somos todos.
Tânia Liporoni, advogada e autora de Parceria de Um e Pega-me. Membro da Academia Francana de Letras
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