A Rede Globo exibiu nos dois primeiros dias deste ano programa especial contando a trajetória de Tim Maia. O quase documento baseou-se na biografia dele escrita pelo jornalista, compositor, escritor, roteirista, produtor musical e letrista brasileiro Nelson Motta.
Extraordinariamente bem produzido, embora sob o manto de algumas controvérsias, o especial contou com depoimentos de diversos personagens que conviveram com Tim Maia, dentre eles, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Caetano Veloso, Jorge Ben Jor, além de considerações do próprio biógrafo, Nelson Motta. Atestou aquilo que muitos já sabiam sobre a personalidade forte e a vida de Tim. Ele, como a maioria dos gênios, viveu uma vida povoada por encontros e desencontros, por encantos e desencantos, tanto no plano pessoal como no profissional.
Sem dúvida, está entre os maiores expoentes da música brasileira de todos os tempos. Era perfeccionista em tudo o que fazia. Genial como arranjador, músico, compositor, o cantor de voz inconfundível, de grande sonoridade, transformava qualquer música, mesmo de média qualidade, em grande sucesso de público e crítica.
Foi legítimo representante daquilo que se convencionou chamar de black music. A crítica também o coloca como iniciador do soul brasileiro. Infelizmente, Tim fez de tudo e mais um pouco para destruir a sua carreira. Certamente, tivesse cuidado bem dela, acabaria construindo trajetória internacional de grande sucesso. Morreu precocemente corroído pelos exageros cometidos. Não conseguiu transpor a barreira dos sessenta anos, assim como ocorreu com Michael Jackson, Elvis Presley, John Lennon e Raul Seixas, também, a exemplo dele, gênios reconhecidos.
Embora falecido há mais de dezesseis anos, seus maiores sucessos continuam sendo cantados pelas novas gerações e sua voz continua viva, presente, reconhecida por milhares de fãs e aplaudia ao soar em produções artísticas, emissoras de rádio, televisão e mídias digitais.
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca.
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