Efeito dominó


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O verdadeiro “pacote de maldades”, medidas anunciadas pela equipe econômica do governo federal em menos de um mês após a posse de Dilma Rousseff (PT) para o segundo mandato, deve tornar mais difícil ainda a vida do brasileiro nos próximos meses. O impacto do retorno da Cide (taxa que incide sobre o preço da gasolina e do diesel), do reajuste da tabela do IRPF (Imposto de Renda de Pessoas Físicas) em torno de 4,5%, abaixo do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) que ficou próximo de 6,5% no ano passado, e do aperto na concessão de benefícios trabalhistas deverá pressionar ainda mais a inflação, que já está em torno de 2% neste primeiro mês de 2015. 
 
O aumento nos preços da gasolina e do diesel provocados pela Cide, que já está sendo registrado em alguns postos do País, pode provocar um verdadeiro ‘efeito dominó’, ainda mais quando se sabe que toda a logística de transporte brasileira depende dos combustíveis fósseis. Por isso, os preços de produtos e serviços no Brasil deverão subir, assim como haverá aumentos na conta de luz, que pode ficar em torno de 40% nos próximos meses. O trabalhador brasileiro será o mais atingido, já que o impacto de todas as medidas tomadas pelo governo federal deverá ser danoso ao setor produtivo, prejudicando ainda mais o já baixo nível de emprego.
 
Os próximos meses serão essenciais para que se conheça a eficácia (ou não) do “pacote de maldades”. Caso dê certo, a partir do segundo semestre a economia deverá voltar a crescer e recompor produção, empregos e salários. Do contrário, o rombo poderá ficar ainda maior, sem que se vislumbre alguma saída. Aí, sim, o governo terá que ser obrigado a encarar a realidade e cortar na própria carne, reduzindo o aparelhamento da máquina administrativa e uma série de benefícios dos entes públicos que não são extensivos ao trabalhador comum. Aliás, toda a cadeia do setor produtivo — dos empresários aos trabalhadores — é forçada a arcar com o descontrole fiscal, enquanto não se mexe na administração federal. Uma contrapartida daqueles que nos dirigem é desejável, mas por ora isso não acontece.
 
Trabalhadores são obrigados a apertar o cinto, mas a gastança, com reajuste de salários dos Três Poderes, acontece ao mesmo tempo. Cartões corporativos, aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) e diárias milionárias continuam sendo utilizados à larga. Quem cobra sacrifícios deve dar o exemplo e mostrar que não se considera acima daqueles que o sustenta, financiando altos salários, benefícios exclusivos e a corrupção que corrói as instituições brasileiras. Já vão longe os tempos em que o senhor feudal (ou a corte imperial) se encastelava, com mordomias, enquanto a população mais carente sofria para se alimentar e viver com dignidade. Os próximos meses serão bastante difíceis para a maioria dos brasileiros. Quem dera se fosse de todos eles.
 
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