Memória ignorada


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Somente se conhecer — e conservar — a sua própria história um povo é capaz de entender o seu presente e programar o seu futuro, A memória de um país — ou de uma comunidade — não pode ser negligenciada ou abandonada. Tudo o que acontece hoje é reflexo dos eventos do passado. Preservar a história é primordial para que se entendam todos os eventos que cercam a vida de uma sociedade. A situação é grave, ao se perceber a falta de interesse das nossas autoridades em manter o patrimônio cultural brasileiro. Enquanto no Rio de Janeiro o Museu da República e o Museu Nacional, além do Museu do Primeiro Reinado, enfrentam problemas financeiros (os dois últimos estão fechados), o Museu Histórico de Franca também foi negligenciado pela administração municipal e sofre com a falta de manutenção: as infiltrações e goteiras podem causar um estrago inimaginável não apenas no acervo ali reunido, mas também no próprio prédio, igualmente histórico.
 
No Rio, o Museu da República precisa de verba para instalar câmeras de segurança e o Museu Nacional, que pertence à Universidade Federal, está fechado. Neste, a situação é tão crítica que os funcionários chegaram a se mobilizar para pagar os salários dos faxineiros. O Museu Nacional é a mais antiga instituição científica do país, o maior museu de história natural da América Latina, com um acervo de fósseis, múmias, móveis e objetos de arte doados pela Família Real. E este espaço, que guarda tantas relíquias, cerrou as portas. Só depois disso é que o Ministério da Cultura liberou uma verba para que o local voltasse a funcionar, o que ainda não ocorreu. Já o Museu da República, instalado no Palácio do Catete, por onde passaram 18 presidentes, precisa de recursos para investir em câmeras de segurança. Também a antiga casa da Marquesa de Santos, o Museu do Primeiro Reinado, está fechada para obras e sem prazo para reabrir.
 
Aqui em Franca, a imobilidade do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) vem colocando em risco o Museu Histórico. A falta de atenção com o espaço, que vem de administrações anteriores, tornou ainda mais grave a situação. O que se pode esperar de um prefeito que diz ‘quem gosta de coisa velha é museu’? É a mais rasteira opinião de quem não se preocupa com o valor histórico daquele espaço, onde já funcionaram delegacia de polícia, Prefeitura e Câmara de Vereadores e há décadas abriga um acervo precioso, sendo que a maioria das peças foi doada pelos moradores de Franca. 
 
O verdadeiro desmonte do MIS (Museu da Imagem e do Som) francano é outro ponto que mostra a que ponto chega preocupação do prefeito com a preservação de nossa memória. O acervo do MIS também é precioso, com registros em fotos, áudio e vídeo da vida da cidade ao longo dos anos e de personalidades locais, alguns deles inestimáveis, A continuar assim, estaremos condenados a manter a nossa história somente através dos relatos dos que a viveram, pois os registros estão inapelavelmente fadados ao desaparecimento. É uma situação triste com a qual nenhum francano, seja admirador ou não do prefeito, pode compactuar.
 
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