Termômetros disparam e Franca tem recorde histórico de calor no verão


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Bebedouro de água foi um dos pontos mais disputados da praça Nossa Senhora da Conceição, no Centro, na tarde de segunda-feira
Bebedouro de água foi um dos pontos mais disputados da praça Nossa Senhora da Conceição, no Centro, na tarde de segunda-feira
Os termômetros do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) em Franca registraram ontem a temperatura máxima de 35,5ºC entre as 16 e 17 horas. O fato faz dessa segunda-feira o dia mais quente do verão na cidade desde que o instituto começou a fazer os registros, em 1961.
 
A máxima atingida ontem só é 1,8ºC menor que o recorde histórico de calor na cidade, atingido em 15 de outubro do ano passado, com a máxima de 37,3ºC. E o calor deve continuar nesta terça (veja a previsão na Página 8A).
 
Na tarde dessa segunda-feira, um termômetro de rua, localizado na praça Dom Pedro II, no Centro de Franca, chegou a marcar 42ºC - esse tipo de equipamento registra a sensação térmica, não a temperatura real. Mas, apesar do calorão, a região central estava lotada. 
 
Era comum ver as pessoas fazendo guarda-chuva de guarda-sol, tomando sorvetes e se refrescando nos bebedouros da praça Nossa Senhora da Conceição. Um deles era o vendedor de churros Vicente Toledo, 56, que comercializa a guloseima no Centro há 32 anos, e deixou seu produto de lado e preferiu se alimentar com um picolé. “Está difícil. Eu, que trabalho no sol, acho que nunca ficou tão quente assim em janeiro”, disse Vicente, que teve de improvisar e colocar uma lona em cima do carrinho de churros para se proteger dos fortes raios solares.
 
O recurso da professora aposentada Irene Franco, 64, foi se proteger com uma sombrinha. “Em dias como hoje (ontem) costumo andar de chapéu ou mesmo de sombrinha. Um sorvetinho também ajuda.” Sorvete foi justamente o doce escolhido pelos filhos, de 8 e 9 anos, da operadora de telemarketing Graciele Silva, 30, que preferiu se refrescar em um bebedouro da Praça Central. “Estamos até dormindo de janela aberta, porque nem o ventilador está dando conta.”
 
Heber de Melo, 30, que atualmente está desempregado, também foi se refrescar no bebedouro da praça central. Ele até molhou o pescoço e o peito para ver se o calor passava. “No fim de semana vou ao clube, mas em casa o jeito é apelar para o ventilador mesmo.”
 
Sem chuva
Além do calor recorde, este mês também deverá ficar marcado pela estiagem. Até ontem, choveu apenas 17 milímetros em Franca, segundo dados da Defesa Civil do Estado de São Paulo. Com base na média do mês, era para ter chovido 182 milímetros no período. 
 
Neste mês choveu em apenas dois dias, 6 e 8 de janeiro, de acordo com a Defesa Civi. Até mesmo no crítico 2014, choveu mais nos primeiros 19 dias do ano, quando o volume de precipitação foi de 89,7 milímetros. 
 
Para a meteorologista do Inmet, Helena Balbino, o culpado pela falta de chuva é o desmatamento. “A alta pressão que a região Nordeste do Estado está vivendo inibe a formação de um canal de umidade. E esse fenômeno está acontecendo em maior intensidade por conta do desmatamento, que faz com que a umidade que deveria ser lançada na atmosfera pelas florestas diminua.”
 
A falta de chuva ainda não é problema para a Sabesp, mas a empresa de abastecimento alerta que pode faltar água no segundo semestre se não chover e não houver economia.
 
Segundo o gerente distrital da Sabesp, Rui Engrácia, a captação de água nos dois mananciais que abastecem Franca está dentro da média de janeiro, que é de 836 litros por segundo. Para ele, a falta de chuvas ainda não é preocupante. Mas alerta que pode faltar água no segundo semestre. “Choveu bem em novembro e dezembro, então estamos bem. A preocupação fica para a época de estiagem. Temos que economizar e rezar de manhã, de tarde e de noite para chover”, afirmou Engrácia.
 
A previsão é que volte a chover em Franca amanhã, e que a precipitação continue até sexta-feira. “Essa alta pressão deve se desfazer na quarta-feira, então deve chover”, disse a meteorologista.

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