Mercado mais aberto


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Nos últimos anos, legislações específicas permitiram que mais pessoas com deficiência alcançassem o mercado de trabalho mas ainda há resistência no mundo corporativo. 
 
Está isso demonstrado em pesquisa da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos): 81% das empresas contratam deficientes só para cumprir a lei, e apenas 4% acreditam no potencial deles. 
 
Esse quadro vem mudando, porém. Algumas das corporações que contrataram deficientes por exigência legal notam resultados como forte grau de comprometimento, companheirismo, vontade de aprender e crescer na empresa. A situação pode ser um reflexos do levantamento da Apae (Associação de Pais e Amigos do Excepcional), que mostrou recorde na contratação de pessoas com deficiência intelectual em São Paulo, ano passado. 
 
Cerca de 20 companhias admitiram 300 pessoas no período, 25% a mais que em 2013. Em 80% dos casos, foram as empresas que procuraram os candidatos.
 
Claro que a lei de cotas — que estabelece às empresas com cem ou mais funcionários a obrigatoriedade de contratação de 2% a 5% de seus postos de trabalho para deficientes — ajudou no processo. Antes eram as entidades filantrópicas que tinham de oferecer pessoas com deficiência às empresas e, na maioria das vezes, recebiam negativas. Para 46% das empresas entrevistadas pela ABRH, ainda falta qualificação a esse público. Com a intenção de amenizar, o CIEE criou o Programa de Pessoas com Deficiência, visando capacitar jovens e adultos por cursos de informática presencial, educação à distância, estágio e aprendizagem. 
 
Empresas conveniadas ao CIEE, como Embraer, em São José dos Campos; e a Bauducco, em Guarulhos; mantêm deficientes pelo Programa Aprendiz Legal - parceria do CIEE com a Fundação Roberto Marinho, que, por meio de prática na empresa e aulas teóricas de capacitação, forma jovens e adultos para o mercado de trabalho.
 
Luiz Gonzaga Bertelli
Presidente do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), diretor da Fiesp
 

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