Perigo! Prainha em Patrocínio Paulista expõe risco de afogamento


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Banhistas nadam no rio Sapucaí Mirim, às margens da rodovia Ronan Rocha, na prainha existente no local, enquanto familiares assam carnes em churrasqueira colocada sobre as pedras (à esq.)
Banhistas nadam no rio Sapucaí Mirim, às margens da rodovia Ronan Rocha, na prainha existente no local, enquanto familiares assam carnes em churrasqueira colocada sobre as pedras (à esq.)
O sol e o forte calor dos últimos dias têm feito de uma pequena faixa de areia às margens do rio Sapucaí Mirim, em Patrocínio Paulista, a nova praia artificial da região de Franca.
 
Vizinha à rodovia Ronan Rocha, no sentido Patrocínio a Itirapuã, a prainha, como é conhecida, tem atraído diariamente dezenas de visitantes e banhistas no verão e reacendido os riscos de afogamento no local. No último dia 2, um senhor de 66 anos morreu durante a realização de um churrasco com a família. Ao entrar na água, o idoso se afogou e desapareceu no rio, sendo encontrado posteriormente por um frequentador da praia. Segundo testemunhas, a vítima havia consumido bebida alcoólica antes de nadar.
 
Apesar da localização favorável, o acesso à prainha não é fácil. Para chegar até a água ou mesmo à faixa de areia, o visitante precisa atravessar por meio de pedras, muitas delas escorregadias. Superado esse obstáculo, o espaço improvisado não oferece nenhum tipo de infraestrutura. Também não há qualquer tipo de alerta de risco ou salva-vidas para eventual emergência.
 
Outros dois agravantes são a forte correnteza do rio e a existência de poços que surgem ao longo do leito e podem encobrir os banhistas. Em alguns locais, frequentadores afirmam que a profundidade ultrapassa os 2,5 metros.
 
Embora os riscos de afogamento sejam iminentes, os usuários da prainha parecem não se importar. Jovens saltam em locais considerados profundos, crianças nadam no meio do rio sem o uso de colete ou bóias e famílias realizam churrasco “acomodadas” sobre as pedras, quase dentro d’água.
 
“Venho direto e nunca aconteceu nada. É perto de onde moro e, como está quente, a gente vem para cá”, disse a coladeira Josilene Silva, 24, de Itirapuã, que estava com o um sobrinho de dez anos se refrescando na água na semana retrasada. “Não tem perigo, não. No fim de semana, fica lotado e é só não ficar perto da correnteza”, disse, quando questionada sobre os riscos da prainha.
 
Em outro ponto, a dona de casa Eloiza Lopes dos Santos, 42, realizava um churrasco com familiares enquanto o marido se refrescava mais à frente no rio. Segundo ela, o local é agradável e muito frequentado por famílias e jovens. “Gosto muito de rio, por isso venho sempre. Sei do perigo, mas tomo cuidado e nem entro na água”, disse a dona de casa. Ao contrário dela, seu marido, Joaquim Gonçalves, 63, bebia enquanto nadava. “Bebo, mas não entro no fundo.”
 
Também dentro d’água, os amigos Cassiano Vieira, 25 e Roberto Malta, 21, se aventuravam no rio com confiança, sob alegação de conhecerem o local. “Faz tempo que frequentamos aqui, por isso já sabemos onde ficam as partes fundas”, disse Vieira.
 
Para uma turma de amigos de Franca, o perigo da prainha artificial está no abuso de muitos usuários. “As pessoas entram na água sem saber nadar, pulam da mureta e mergulham depois de beber. É raro ver gente com colete, o que aparece são algumas crianças com aquelas bóias de pneus”, disse a cozinheira Priscila Leão, 32.
 
Responsabilidade
Segundo a assessoria de imprensa da Autovias, concessionária que administra o trecho de rodovia onde fica a prainha, a empresa não tem qualquer responsabilidade sobre o local e a rodovia possui cercas que delimitam a faixa de domínio.
 
O prefeito de Patrocínio Paulista, Marcos Ferreira (PT), também negou responsabilidade da Prefeitura sobre a prainha. Para ele, o curso d’água é de uso coletivo e nada pode ser feito para impedir o acesso de pessoas. “A área não pertence ao município, por isso não vejo qualquer tipo de ação para o local. Não posso interferir em área dos outros.”

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