Aicha foi de manhã buscar água à grande daia
Encontrou o seu amigo e as suas faces empurpuraram-se.
A sua mãe disse-lhe:
- Ó minha filha, a luz do amanhecer tingiu as tuas faces.
Nunca te vi com tão boas cores…
- Ó minha mãe, o ar está vivo de manhã, a ânfora é pesada.
O caminho corou as minhas faces.
Aicha foi, ao meio-dia, buscar água à grande daia.
Encontrou o seu amigo e apertou-lhe as mãos.
A sua mãe disse-lhe:
- Ó minha filha, como as tuas mãos estão vermelhas!…
Nunca a henna as tingiu assim.
- Ó minha mãe, colhi rosas ao longo das sebes.
Os espinhos picaram-me e o sangue corou os meus dedos.
Aicha foi ao entardecer buscar água à grande daia.
Encontrou o seu bem-amado.
Voltou com os lábios vermelhos dos seus beijos.
A sua mãe disse-lhe:
- Ó minha filha, os teus lábios parecem os corais do Rif.
Nunca te vi teus lábios assim vermelhos.
- Ó minha mãe, comi bagas, e elas coraram os meus lábios.
Aicha foi à noite buscar água à grande daia.
Voltou com as faces brancas e os cabelos desfeitos.
A sua mãe disse-lhe:
- Ó minha filha, a tua face está tão branca.
Nunca te vi com a face tão pálida.
- Ó minha mãe, prepara a minha mortalha
e manda abrir o meu túmulo,
porque o meu amigo abandonou-me.”
Sidi Hammou, poeta morroquino
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