Política da destruição


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Ainda em meados do século passado persistia a ideia, em alguns administradores públicos, de que qualquer iniciativa vitoriosa de seus antecessores deveria ser descontinuada. Projetos eram esquecidos em fundos de gaveta, programas encerrados e muitas obras abandonadas, apenas para evitar que outros levassem os louros de benefícios destinados aos eleitores. Na mesma época, existiam os “currais eleitorais”, onde não se podia votar em quem o chefe político da região não concordasse. Trocavam-se votos por sapatos, dentaduras e jogos de camisa para times de futebol. Era uma forma de fazer política que ainda persistiu até meados da década de 1980, quando leis mais rigorosas foram aprovadas para tentar acabar com esta prática danosa. Mas alguns ainda insistem nesta velha política.
 
Pois não é que o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) usa práticas que não cabem mais na administração pública brasileira? Não se sabe qual a razão que o move. Mas ele consegue, tal qual um elefante em loja de cristais, destruir tudo o que toca. Ignora capacidades, utilidade e relevância. Foi assim com o Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas), de responsabilidade da Polícia Militar, que levava instruções aos alunos da rede pública sobre o perigo das drogas. Cancelou o convênio com a PM, prometeu uma “nova abordagem” e ficou por isso mesmo. Hoje, os estudantes das escolas municipais seguem à mercê do vício e de traficantes mas sem qualquer orientação.
 
Mais tarde, desta vez por causa de uma “birra” pessoal com o Grupo CGN, que publica este Comércio, cancelou a participação de professores e alunos da rede municipal de ensino no programa Jornal na Sala de Aula, um dia antes do primeiro encontro da edição de 2014. O programa busca, entre outras propostas, incentivar a leitura e a escrita, bem como a perfeita compreensão de texto, através do noticiário impresso. Reconhecido no Brasil e desenvolvido em diversos países do mundo, o Jornal na Sala de Aula (ou Jornal Escola, como é mais conhecido) seria substituído por outra iniciativa, o que não ocorreu até agora, um ano depois.
 
Assim como o Proerd e o Jornal Escola, agora o prefeito está conseguindo destruir uma iniciativa de mais de 20 anos, responsável pelo atendimento de milhares de francanos. Trata-se da Casa do Diabético, que já foi considerada modelo de prevenção e tratamento do diabetes tipo 1 e 2 e hoje agoniza, sem contar sequer com médico endocrinologista. Esta situação espelha bem o que vem acontecendo em Franca. O município sente-se abandonado e não há qualquer manifestação dos responsáveis a respeito dos problemas aqui relatados. A situação pode se agravar mais ainda, desenhando-se uma situação de caos que já atinge toda a saúde pública francana. Em vez de manter tudo o que está dando certo, buscando melhorias, Alexandre Ferreira abandona e deixa quem depende destes serviços órfãos. Dois anos após a sua posse, o prefeito ainda não se mexeu para cumprir as promessas de sua campanha. E com isso é a cidade que continua perdendo.
 
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