Goteiras põem em risco acervo do Museu Histórico


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Fotos de personalidades de Franca ‘vigiam’ baldes no meio de uma das salas do ‘José Chiachiri’
Fotos de personalidades de Franca ‘vigiam’ baldes no meio de uma das salas do ‘José Chiachiri’
Quem visita o Museu Histórico “José Chiachiri” deve estranhar, em meio ao acervo do local, uma lona estendida no chão com vários baldes sobre ela. Não se trata de uma instalação artística. Esta foi a forma encontrada pelos funcionários para evitar a destruição de parte das 5 mil peças do museu, alvo do descaso da Prefeitura.
 
Nas últimas semanas, o museu foi atingido por seguidas chuvas, que evidenciaram a precariedade de suas instalações e a necessidade urgente de reformas para permitir que o acervo continue sendo alvo do interesse de mais de 9 mil pessoas, em média, que procuram o local todos os anos. 
 
Nos temporais que atingiram Franca em dezembro, a presidente da Associação “Paulo Duarte”, entidade criada há sete anos para tentar garantir a gestão do museu, professora Angela Maria Pimenta, escreveu para os demais membros informando que o aguaceiro corria pelas paredes do prédio, principalmente na sala com estantes climatizadas, onde se guardam os documentos em papel mais frágeis. “A água caía pelo telhado, descia pelas paredes e vinha para o assoalho.”
 
A sala em questão fica no térreo, mas no segundo andar os problemas se repetem. É possível ver que o forro está comprometido em muitas partes, o que obrigou a colocação dos baldes sobre plásticos. 
 
Integrante do Sisem (Sistema Estadual de Museus), o “José Chiachiri” em muito se assemelha a tantos outros museus municipais, guardando objetos, documentos e registros de imagem importantes para a história, mas, ao mesmo tempo, sofrendo ao longo dos anos tanto com o desprezo da administração municipal quanto com o equivocado imaginário popular de que ali existe um depositário para coisas inservíveis.
 
Para a presidente da Associação “Paulo Duarte”, seria preciso fazer um novo trabalho de catalogação, ver o que é realmente importante para compor o acervo e descartar o que não serve, devolvendo os objetos a quem fez a doação.
 
Mesmo que esse trabalho um dia saísse do papel, o museu precisaria de uma reserva técnica para abrigar o que fosse mais frágil ou peças repetidas, por exemplo, espaço que hoje, na prática, não existe. O que é chamado de reserva técnica é um quarto nos fundos do museu, sem qualquer condição de assegurar a conservação de parte do acervo.
 
Durante um ano, a presença da museóloga Cecília Machado, cujo contrato terminou em 1º de janeiro deste ano, serviu para definir, entre outros projetos, as bases do que deveria ser a nova reserva técnica do museu de Franca, considerado um dos 10 mais importantes em sua categoria no Estado de São Paulo.
 
Enquanto não consegue sair do lugar por falta de dinheiro e investimento, a direção do museu vai sonhando com, por exemplo, o acesso de todo o seu acervo pela internet - projeto que, sozinho, pode consumir até R$ 1 milhão. Mas, o mais urgente é, sem dúvida, a reforma do prédio.

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