Morreu às 8h40 da manhã de ontem, 15 de janeiro, em sua casa, Edgar Gomes de Morais, o Garito, ex-goleiro da Associação Atlética Francana nos anos 50. Tinha 92 anos. Segundo sua família, ele sofreu infarto fulminante do miocárdio, foi imediatamente socorrido pelo Samu e levado à Santa Casa, mas não sobreviveu. Segundo seu filho Edgar, “o infarto não emitiu sinais anteriores. Apenas esta semana, ele se queixou de alguma falta de ar”.
Perfeitamente lúcido, Garito fazia suas caminhadas tradicionais e “se encontrava com gente que gostava, para falar sobre seu amor pela Francana, que defendeu entre 1954 e 1957, antes de se transferir para o Botafogo de Ribeirão Preto, onde encerrou sua carreira profissional. Aliás, Francana e Botafogo, nesta ordem, eram seus times do coração”.
Era natural de Uberaba (MG), e lá iniciou sua carreira de jogador de futebol, sempre como goleiro. ‘Ele nos dizia que começou no Merciana, de Uberaba. Passou, depois, pelo Rio Pardense, de São José do Rio Pardo, América de Rio Preto, Francana e o Botafogo de Ribeirão Preto, onde encerrou a carreira’, recorda-se o filho. Esportistas francanos mais experientes compartilham a opinião de Garito ter integrado, com competência, um dos melhores planteis de todos os tempos, e se tornou ídolo da torcida defendendo o gol do “super-esquadrão dos anos 50” - ele, Amaury, Antero, Tuti, Gonçalves, Eca, Tim, Tidão, Tonho Rosa, Luizinho Rosa e Canhotinho, registrou em crônica para este Comércio o francano Vicente P. Oliveira, ex-secretário Adjunto de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo.
Depois de se despedir do futebol, escolheu Franca para ficar residência. Foram 56 anos vividos ‘nesta cidade que ele amava’, disse o filho Edgar. Estava viúvo desde 1990, de Marina Castilho de Morais. Do enlace, três filhos (Edgar, casado com Maria Aparecida; Vilma Mara, casada com Sebastião Teodoro Elias; Virgínia, já falecida, casada com Osmar de Oliveira Ramos), cinco netos (Lívia, casada com Evani Jamil dos Santos; Camila, casada com Farlei Duarte; José Renato, casado com Roseli; Fabrício, casado com Sônia; e Carlos), e seis bisnetos (Letícia, Hugo, José Renato Júnior, Igor, Mateus e Marina). Para ganhar a vida depois do futebol, trabalhou como pedreiro construtor. Aposentou-se nesta profissão há mais ou menos 30 anos, disse Edgar.
“Boa gente, pai presente, amigo de todas as horas”, Edgar disse que o pai foi determinante na criação dele, dos irmãos e netos. Nunca deixou de falar - e viver - suas paixões pelo esporte e pelos clubes de seu coração. “Deixou de ir ao Lanchão acompanhar jogos da Francana há uns 10 anos. Estava triste pelo fato do clube não ascender mais a divisões importantes do futebol de São Paulo. Não se conformava. Vivia afirmando que a cidade deveria abraçar o time de novo como era no seu tempo; que as indústrias deveriam, cada uma, ‘adotar’ um grande jogador e cedê-lo ao clube pelo tempo do compeonato e garantir todos, desta forma, o retorno à ‘Primeira Divisão’, que é o mínimo que uma cidade como Franca merece”, disse, emocionado, seu filho.
Garito tinha, no médico dr. José Lancha Filho, amigo de muitos anos. Foi vê-lo na última segunda-feira, dia 12, preocupado com algumas dificuldades de respiração. O dr. Lancha confirmou. “O consultei e percebi logo que havia necessidade de intervenção mais drástica. Deixei isso claro à sua filha, que o acompanhava. Garito saiu disposto a iniciar os procedimentos que seu caso merecia. Seu coração não lhe proporcionou esse tempo.” O médico também declarou que tinha, no ex-jogador, “um amigo de boa índole, ex-profissional de futebol competente e dedicado com quem gostava de conversar sobre o futebol romântico dos anos 50, época em que, formado médico, cheguei a Franca e, a convite do presidente da Francana na época, Ângelo Tornatore, tornei-me médico do time. A cidade perdeu mais um de seus ídolos, talvez não o reconhecendo como devia”.
O velório de Garito continua hoje, no São Vicente de Paulo, com sepultamento agendado para as 13 horas, no Cemitério Santo Agostinho, com serviços da Funerária Santa Bárbara.
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