Não é de hoje que alertamos para o desgoverno que toma conta da administração municipal. Há dois anos Franca convive com um prefeito completamente alheio aos problemas da população que lhe delegou o mandato. Sem demonstrar qualquer capacidade administrativa, Alexandre Ferreira (PSDB) ilude-se ou finge acreditar num cenário que só ele vê, ostentando óculos cor-de-rosa. Desde quando era secretário da Saúde, o atual chefe do Executivo francano mostra-se incapaz de reconhecer os erros e procurar corrigi-los. Tal qual uma Maria Antonieta moderna (a rainha francesa que sugeriu aos esfomeados que comessem brioches, já que não tinham pão), vive encastelado em um mundo irreal e rodeado de assessores subservientes, como os da corte do rei Luis XVI. Guardadas as devidas proporções, a imobilidade do prefeito remete ao fim da monarquia na França do século XVI. E no roteiro de erros, desta vez o que chama a atenção é a falta de médicos especialistas nas UBS (Unidades Básicas de Saúde) de Franca. É mais um capítulo repleto de erros, falhas e omissões da administração municipal. Quem sai prejudicada com isso é a parcela da população menos afortunada, que depende de atendimento público. Desde a descoberta da indústria das horas-extras que vinha funcionando na Secretaria Municipal de Saúde, passando pelas mortes (pelo menos oito) ligadas ao setor desde o ano passado, as irregularidades verificadas no atendimento prestado pela Prefeitura só crescem. Pacientes que dependem de clínicos gerais, ginecologistas e pediatras, as especialidades mais procuradas, enfrentam filas por causa da ausência dos referidos profissionais, sem qualquer garantia de agendamento. Quando conseguem, ainda precisam esperar um período maior do que o suportável para quem se encontra doente.
Ao evitar explicações para o fato, Alexandre Ferreira demonstra, além da falta de preparo para o cargo que ocupa, uma insensibilidade doentia. O bom senso e a compaixão levariam qualquer outro a vir a público, admitir os problemas e apresentar soluções. Mas como as falhas se avolumam, vê-se que falta também, além de sensibilidade, um plano que busque regularizar, em curto prazo, o pleno atendimento. O francano não pode mais ficar à mercê da disponibilidade de médicos especialistas. Pelo que se sabe, a Prefeitura continua recebendo verbas dos governos federal e estadual para manter a saúde pública, mas o chefe do Executivo busca subterfúgios em lugar de mostrar caminhos, arriscando-se em novas irregularidades para inflar salários de médicos da rede.
Um pouco de humildade — e muito de sinceridade — seria benéfico ao prefeito francano. Ele precisa, sim, reconhecer que, como qualquer ser humano, erra em suas decisões. Procurar quem tem maior experiência, como o ex-prefeito Sidnei Rocha — que praticamente o colocou no comando do município — para se aconselhar, seria um sábio passo, a evitar que os problemas, em todos os setores da administração, se tornem incontornáveis. Franca hoje está à deriva e não vai suportar mais dois anos sob o regime autocrático de Alexandre Ferreira. Se nada for feito, todos nós seremos prejudicados. E o município, por certo, vai custar a se recuperar de administração tão desastrada.
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