Sem médicos, oito UBSs de Franca cancelam agendamento de consulta


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Cartaz na recepção da Unidade Básica de Saúde da Vila São Sebastião informa suspensão da marcação de consultas com clínico
Cartaz na recepção da Unidade Básica de Saúde da Vila São Sebastião informa suspensão da marcação de consultas com clínico
Ao menos oito UBSs (Unidades Básicas de Saúde) de Franca não estão marcando consulta para pelo menos uma das três especialidades médicas oferecidas nas unidades (veja quadro nesta página): clínica geral, ginecologia e pediatria. Segundo relatos de funcionários e pacientes, o problema ocorre porque os médicos pediram demissão, estão em férias ou com as agendas lotadas.
 
No início da manhã dessa terça, a reportagem da rádio Difusora esteve na UBS da Vila São Sebastião e encontrou diversos cartazes pregados na porta do local que informavam que a unidade não estava efetuando marcações de consulta com médico clínico geral e ginecologista. A reportagem do Comércio também esteve na UBS da Vila São Sebastião por volta das 10h30 de ontem, mas não encontrou mais as informações expostas na área externa. Havia cartazes informando sobre o não agendamento apenas na recepção da UBS. “Trabalho aqui na frente e tenho visto as pessoas reclamando da falta de médico desde a última quinta (8). Hoje cedo tinha mesmo um monte de cartazes. Mas, um pouquinho depois das 9 horas, vi o pessoal tirando tudo”, disse o autônomo José Silva, 49.
 
“Estou tentando marcar consulta desde quinta. Acabei pagando uma consulta particular e o médico me receitou três exames. O mais caro custa R$ 500. Então voltei aqui hoje, cheguei às 3 horas da manhã para conseguir o encaixe. Pelo menos deu certo”, contou o tratorista Antônio Marcos Sales, 43, que conseguiu ser atendido na UBS da São Sebastião por volta das 11 horas, no lugar de outro paciente que havia faltado. Antônio Marcos disse que sua consulta durou apenas três minutos.
 
Além da unidade da Vila São Sebastião, a reportagem do Comércio esteve ainda em outras 11 das 14 UBSs existentes atualmente em Franca.
 
A unidade da Estação é outro local que sofre com a falta de médicos. Folhas de papel sulfite pregadas na porta da UBS informavam que consultas com ginecologista só começariam a ser marcadas no dia 6 de fevereiro. Para conseguir uma consulta com um clínico geral na mesma UBS, o namorado da auxiliar administrativa Vanda Pinheiro Ribeiro, 53, teve de chegar à unidade às 4h30. “Ele foi o 10º a ser atendido. Ontem (segunda), ele chegou às 6 horas e não conseguiu a consulta”, disse ela.
 
Na UBS do Horto também havia cartazes na porta que informavam que o agendamento de consultas com clínico geral e ginecologista não estava sendo feito. “Estamos encaixando só grávidas e casos muito urgentes, mas tem que chegar cedo e aguardar uma desistência”, disse uma funcionária que não quis ter o nome divulgado.
 
A reportagem não esteve na UBS do Aeroporto III e na UBS da Vila Santa Terezinha.
 
Má remuneração
Para o presidente do Sindicato dos Médicos de Franca, Mauro Barcellos, o culpado pela falta de profissionais na rede pública municipal é o baixo salário. “Tem muita gente pedindo para sair por conta da baixa remuneração. Hoje, um médico ganha líquido em Franca R$ 3,5 mil para trabalhar 20 horas semanais.”
 
A reportagem enviou e-mail para o gabinete da secretária de Saúde, Rosane Moscardini, e para a assessoria de imprensa da Prefeitura de Franca, questionando o motivo de as consultas não estarem sendo agendadas nas UBSs. Mas, mais uma vez, não recebeu retorno até o fechamento desta edição.
 

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