Metalúrgicos de São Bernardo do Campo bloquearam o trânsito da Via Anchieta para protestar contra demissões na Volkswagen e Mercedes-Benz. O movimento já dura uma semana, sai dos limites das montadoras e reflete na comunidade, impedida em seu direito de ir-e-vir. Esse o seu lado perverso. Terceiros, que nada têm de relação com o assunto são atingidos por caos público.
A indústria automobilística, com produção em queda, promove demissões. Os sindicatos protestam legitimamente.
O que se espera é atuação firme do governo em busca do melhor acordo entre as partes. As autoridades não podem apenas observar. A própria estrutura econômica em que se baseia o setor é resultante de ações governamentais que levaram à instalação das montadoras no país.
Para as empresas, na economia globalizada de hoje, seria fácil encerrar atividades e passar a suprir o mercado com veículos produzidos em unidades de outros países onde, mercê de política econômica e social mas equilibrada, os trabalhadores sejam menos exigentes, ma isso não atende aos interesses nacionais.
É obrigação do governo criar condições econômicas para as imprescindíveis montadoras continuarem atuando no páis, e zelar pelo equilíbrio nas relações das empresas com seus empregados.
O partido que está há 12 anos no governo e agora começa mais um quatriênio não tem o direito de negar mediação e regulação, até porque nasceu entre os metalúrgicos do ABC, exatamente do embate entre patrões e empregados. Tem que colocar em prática o que cobrava dos governantes nos anos 78/80.
Quanto ao grevismo, não pode permitir que se alastre. O governo tem o dever de, além de fazer os ajustes que a economia exige, zelar pelo equilíbrio entre capital e trabalho, além de desenvolver políticas que mantenham empresas e empregados em produção. Do contrário, a crise tende a aumentar...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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