Rolezinho perturbador


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O que move centenas de jovens, entre 10 e 16 anos, a promoverem uma verdadeira baderna pelos corredores do Franca Shopping nas noites de sexta-feira? A ação, que vem sendo registrada nas últimas semanas, além da insegurança a funcionários de lojas e frequentadores, assusta pela total falta de propósito de um grande número de jovens que ainda reclamam da falta de opções de lazer existentes na cidade. Como os corredores do shopping, principalmente nos finais de semana, se transformaram em passeios públicos, substituindo os “footings” das praças de algumas décadas atrás, os “rolezinhos” causam uma verdadeira debandada de famílias que até há pouco tempo se sentiam protegidas no local.
 
A violência, hoje, tem afastado famílias inteiras dos passeios dominicais nas praças de Franca — a maioria delas encontra-se abandonada e dominada por usuários ou traficantes de drogas. Andar tranquilamente pelas ruas também se torna proibitivo, principalmente no período noturno: quem se arrisca, torna-se isca fácil para assaltantes e ladrões de veículos. Além disso, há o perigo de ser atropelado por motoristas irresponsáveis, mesmo estando na calçada. O noticiário do Comércio tem sido pródigo em exemplos deste tipo.
 
Para todos estes, o Franca Shopping tornou-se uma opção real de lazer que agora começa a se deteriorar. Diante desta situação, que parte de um bando de jovens que hoje contam com um ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) que lhes dá todos os direitos e nenhum dever, prejudica quem pretende passar horas agradáveis no ambiente do shopping. Quando este grupo de pessoas, cujas idades não ultrapassam os 16 anos, se reúne e causa tumultos, pouco se pode fazer. O ócio, já diziam os mais antigos, é o pai de todos os vícios. E agora o ócio está se tornando causador de violência. Há que se pensar numa forma de proteger nossas crianças e adolescentes ao mesmo tempo em que responsabilidades lhes sejam cobradas. Caso contrário, estarão prejudicando quem trabalha e produz, sem que possam ser penalizados.
 
Há que se pensar uma forma de mostrar a estes jovens que os “rolezinhos” no Franca Shopping — ou onde quer que seja —, que culminam em uma baderna preocupante, prejudicam não apenas os estabelecimentos ali instalados ou os seus frequentadores habituais, mas a eles próprios, uma vez que os locais que podem frequentar vão se tornar cada vez mais restritos. A liberdade de alguns termina onde começa a dos demais. Por isso, uma ação que não leva nenhum benefício a quem quer que seja precisa ser entendida como maléfica para todos, inclusive aos que participam dela. E ninguém merece isso. A esperança é que estes jovens entendam a necessidade de compartilhar ordeiramente um espaço público.se continuarem a agir da forma como vêm fazendo, todos vamos perder. E depois não adianta reclamar da falta de opções existente na cidade.
 
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