A partir do momento em que começou a anunciar sua equipe para o segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff (PT) expôs as cicatrizes entre os aliados e principalmente no Partido dos Trabalhadores. Ao afastar-se dos elementos simpáticos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e privilegiar aliados de última hora, como Gilberto Kassab (PSD) e Cid Gomes (Pros) — colocados em pastas importantes como os Ministérios das Cidades e da Educação, respectivamente —, a presidente conseguiu desagradar todas as legendas aliadas, até a dela própria, e já começa a enfrentar o “fogo amigo” que pode desestabilizar a sua meta de retomar o crescimento econômico.
Na edição de domingo do jornal O Estado de São Paulo, uma entrevista da senadora Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo e ex-ministra da Cultura, um dos nomes mais fortes da legenda no País, expõe claramente as divergências internas no Partido dos Trabalhadores e antecipa que o novo mandado de Dilma não deverá ter uma vida fácil como o primeiro, quando até o descontrole fiscal do Planalto foi “perdoado” pelo Congresso. Trata-se de uma situação bastante complicada, ainda mais diante dos ataques da petista à atual presidente, ao ministro Aloizio Mercadante (homem-forte de Dilma neste segundo mandato) e ao presidente do PT, Rui Falcão.
Na entrevista, Marta chama o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) de “inimigo do Lula” e “candidatíssimo” a presidente em 2018. Já sobre o presidente do partido, Rui Falcão, alega que ele “traiu o partido e o projeto do PT”. Marta tampouco poupa a gestão Dilma e argumenta que “não se engendraram as ações necessárias quando se percebeu o fracasso da política econômica liderada por ela”. “Em 2013, esse fracasso era mais do que evidente”, disse Marta. Muitos acreditam que a senadora só está expondo o que o ex-presidente Lula, já de olho na sucessão de sua ex-pupila, pensa e tem falado a figuras mais próximas .A entrevista, que repercutiu nos meios políticos neste início de semana, ecoou como um alerta dentro do PT, um partido formado por várias facções, em grande parte descontentes com os rumos do governo, que teria se “afastado das suas propostas iniciais”.
A manifestação de Marta reflete o pensamento dos petistas de São Paulo, os quais se consideram alijados do centro do poder e das decisões do Planalto. Além disso, a imposição do nome de Alexandre Padilha para disputar o governo paulista (ele ficou em terceiro) também serviu para escancarar as divergências. Marta esperava ser a candidata — e ela teria amplas condições de tornar a disputa mais apertada, levando-a para um possível segundo turno — e, diante do resultado, sente-se magoada pela passividade da presidente (cuja equipe ela integrava) e de Rui Falcão. Pelo visto, mais chumbo grosso vem por aí, ainda mais se a nova equipe de Dilma não conseguir reverter esta situação adversa que o País ainda vive ou então venha a promover um “aperto” mais profundo, atingindo conquistas sociais e trabalhistas. Aí é que o circo vai mesmo pegar fogo.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.