Com média acima do normal, Franca registra queda de 13,5 raios por dia


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Jovanete Garrido Garcia Souza, 47, e duas filhas ficaram feridas após a queda de raio que matou 4 pessoas em Praia Grande (SP)
Jovanete Garrido Garcia Souza, 47, e duas filhas ficaram feridas após a queda de raio que matou 4 pessoas em Praia Grande (SP)
Praticar atividades ao ar livre e próximo a árvores; estar por perto de objetos que conduzem eletricidade bem como a outros metálicos de grande porte ou ainda permanecer em um abrigo aberto como varandas, toldos e guarda-sóis durante o mau tempo são receitas conhecidas e certas para aumentar em 80% as chances de ser atingido por um raio. No período em que estamos, a probabilidade de ser uma vítima deste fenômeno pode ser ainda maior, já que entre os meses de dezembro e fevereiro a incidência de queda cresce em todo o país e Franca se localiza em uma área em que as descargas por quilômetros quadrados chegam a 8,11 anuais, média acima do índice 5, considerado normal pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). 
 
Para se ter uma ideia, a estatística indica que cerca de 13,5 raios caiam diariamente na cidade. Além de Franca, as cidades vizinhas de Cristais Paulista, Patrocínio Paulista, Pedregulho, Restinga e Rifaina também possuem índices de queda superiores aos 5 (veja quadro nesta página). 
 
“A região de Franca apresenta concentração de raios por quilômetro quadrado por ano mais alta do que a média brasileira em razão das altas temperaturas no verão, relevo acidentado e localização no continente em relação a ocorrência de sistemas frontais”, informou o coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Inpe, Osmar Pinto Júnior.
 
Ainda segundo o Inpe, o Brasil é campeão na incidência de raios. De cada 50 mortes ocasionadas por este tipo de descarga elétrica no mundo, uma é aqui. No total, são cerca de 130 mortes, mais de 200 feridos e prejuízos anuais de mais de R$ 1 bilhão. 
 
Cuidado
Embora a probabilidade de ser atingido por um raio seja de 0,8 por milhão no país anualmente, as chances aumentam de um para mil conforme o local e atividade praticada pela pessoa durante o mau tempo. 
 
Realizar atividades agropecuárias ao ar livre, por exemplo, é o que mais mata pessoas no Brasil. Estar próximo carros, tratores e cercas; circulando em motos e bicicletas ou ficar ao lado de veículos de modo geral; permanecer em campo aberto como praia, campo de futebol ou embaixo de árvores e abrigos abertos também são situações que potencializam acidentes, de acordo com informações do Inpe.
 
“Mas se você estiver em um local sem um abrigo próximo e sentir que seus pelos estão arrepiados, ou que sua pele começou a coçar, fique atento, já que isto pode indicar a proximidade de um raio que está prestes a cair. Neste caso, ajoelhe-se e curve-se para frente, colocando suas mãos nos joelhos e sua cabeça entre eles”, indica a página do Instituto na internet. 
 
A descarga elétrica de um raio equivale, tipicamente, a 30 mil ampères, intensidade mil vezes maior do que a encontrada em um chuveiro elétrico.
 
No final do ano passado, uma família de Franca foi vítima de uma descarga elétrica em Praia Grande (SP). Mãe e duas filhas ficaram feridas no incidente que matou quatro pessoas no dia 29 de dezembro (leia mais em texto nesta página).

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