O motorista que atropelou e matou duas mulheres durante caminhada na avenida São Vicente, dia 20 de julho de 2014, foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público e deverá responder por quatro crimes. Luís Fernando Barbosa Silva, 28, foi formalmente acusado de dois homicídios e de duas tentativas de homicídio, todos na modalidade dolosa. No entendimento da promotoria, ao beber e sair dirigindo em alta velocidade, o sapateiro assumiu o risco de matar.
As vítimas fatais, Aparecida das Graças Ribeiro, 62, e Roselane Henrique Rafael, 34, eram vizinhas e tinham o hábito de caminharem juntas. Naquele domingo, às 7h30, passavam perto do Clube dos Servidores Municipais quando foram atingidas na calçada por um Gol. Aparecida morreu na hora. Roselane, duas horas depois.
Policiais afirmaram que encontraram o motorista cambaleando ao lado do veículo com forte cheiro de álcool, olhos vermelhos e aparentando ter bebido muito. No interior do carro foram localizadas quatro garrafas e uma lata de cerveja, todas vazias. Silva admitiu ter bebido, mas se recusou a fazer o teste do bafômetro. Como não pagou a fiança de R$ 5 mil, foi levado para o CDP (Centro de Detenção Provisória), onde ficou preso por dez dias.
Após ouvirem testemunhas e juntarem provas, os policiais do 4º DP concluíram que o sapateiro teria começado a beber por volta das 16 horas do dia anterior, em um churrasco na casa de um amigo, onde ficaram até por volta da meia-noite. Depois seguiram para a festa House Winter, mas não conseguiram entrar e resolveram dar um “rolê”. Às 3h22, Luiz e o amigo entraram na loja de conveniência de um posto de gasolina da Major Nicácio. As imagens obtidas pelos investigadores mostram os dois comprando duas vodcas e energético, o que foi comprovado pelo ticket anexado ao processo. O dia já havia amanhecido, quando o sapateiro foi levar uma amiga para casa. Depois de passar por uma lombada na Avenida São Vicente, perdeu o controle e atropelou as duas mulheres. “Ele ainda tentou tirar o pneu de estepe e pegar a chave de roda para trocar o pneu que havia estourado, tentando evadir-se do local, o que não conseguiu”, contou o delegado Dalmo Mateus Polo, responsável pelo caso e que fez o indiciamento por homicídio doloso.
O promotor de Justiça criminal, Odilon Nery Comodaro, também avaliou que Luiz Fernando não deu importância às possíveis consequências de dirigir embriagado e, na quinta-feira, o denunciou à Justiça por quatro crimes dolosos, para que responda como aquele que pratica um crime intencionalmente. “O motorista, por conta de mistura de embriaguez e irresponsabilidade na condução do veículo, assumiu risco consciente de causar um dano grave e acabou atingindo estas duas pessoas levando-as a morte, além de ter colocado em risco também a vida dos dois ocupantes do veículo, que se feriram”.
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