O ataque de um comando extremista do islamismo internacional ao jornal Charlie Hebdo, em Paris, causou espanto e indignação por sua violência e frieza.
As reações foram imediatas: a população da Europa saiu às ruas condenando o atentado. De várias partes do mundo vieram manifestações e atos de solidariedade, inclusive do mundo árabe e islâmico. Está claro que a religião mulçumana não tem nada a ver com o ocorrido.
No Brasil, o governo federal soltou declaração tíbia, uma vez que tem compreensão, no mínimo, aquém da gravidade dos conflitos e das ameaças que o terrorismo de caráter islâmico causa no mundo. Lembremos que o governo brasileiro, recentemente, defendeu diálogo com o Exército Islâmico que patrocina guerra sem quartel na Síria e no Iraque.
Com ares de interpretação sofisticada, especulações nas redes sociais sobre o atentado terrorista perpetrado em Paris revelam escapismo, instrumentalismo e algum delírio. Depois do “silêncio dos intelectuais”, agora “massa” deles revela o que lhes passa pela cabeça. Jornal eletrônico especializado em questões internacionais vacila em admitir que o atentado deva ser qualificado como ato de “terrorismo”. Intelectuais que se autodenominam de “esquerda” insinuam que o culpado é o Ocidente porque secularmente explorou o resto do mundo e o jornal zombeteava com a religião islâmica. Para outros o culpado é o “imperialismo”, espectro que ainda ronda o mundo, real e permanente inimigo. Outros julgam que o ataque foi à ultraesquerda francesa e, neste caso, as multidões nas ruas com cartazes “Je suis Charlie” representaria apoio de massa que jamais teve a ultraesquerda. Cínico se não fosse trágico. Por fim, a diluição conceitual: o ataque foi fascista porque o mundo está eivado de fascismo, especialmente pelo católico, islamita, europeu, latino-americano etc.
Pela pequena amostra de equívocos, seria menos prejudicial se intelectuais voltassem ao silêncio para não abrutalharem a imaginação científica diante dessa tragédia.
Alberto Aggio
Professor titular da Unesp/Franca
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