A que ponto chegamos?


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Os acontecimentos da última semana mostraram o que a intolerância (desta vez, religiosa) pode causar. Pelo menos dezesseis pessoas (além de três supostos terroristas) foram mortas na França por causa de um fanatismo odioso, que prega a violência contra os que não professam a mesma ideologia religiosa. E o que é pior: contra profissionais que têm apenas lápis e canetas como arma. Nos dias de hoje, está difícil manter uma opinião contra aqueles que deturpam os ensinamentos de seus líderes religiosos. O ataque ao semanário satírico Charlie Hebdo, em Paris, foi uma prova disso. A luta sangrenta entre integrantes do Estado Islâmico e cidadãos curdos, na Síria e no Iraque, também. E as agressões mútuas no Oriente Médio idem.
 
As lições da história da humanidade ainda não foram assimiladas. Basta ver as perseguições aos primeiros cristãos, que deixaram mortos e mártires, ou as cruzadas, na Idade Média, que opuseram cristãos e muçulmanos. E a mais recente barbárie, que deveria ser sempre lembrada, servindo de alerta, ocorreu na década de 40 do século passado, quando os nacionalistas alemães empreenderam um verdadeiro genocídio contra os judeus. A Segunda Guerra Mundial terminou com a morte de milhões nos campos de concentração da Alemanha de Hitler. Poucos milhares conseguiram se salvar para contar a história. Não há ideologia capaz de explicar a morte de pessoas só por pertencerem a uma raça, no caso judeus que foram detidos conforme a dominação nazista se expandia.
 
Não há nada que possa justificar a morte de qualquer ser humano. Nem ideologias políticas, religiosas ou de gênero. Vemos atualmente o caos tomar conta por causa de um fanatismo odioso e repugnante. Ninguém, ainda hoje, se esquece das mortes nos ataques às torres gêmeas do World Trade Center, em setembro de 2001. Ou do atentado a bomba durante a Maratona de Boston — um dos acusados começa a ser julgado nos EUA. Nem fica alheio à carnificina que toma conta da Síria, envolvendo cidadãos curdos, fundamentalistas islâmicos e o governo ditatorial de Bashar al-Assad. Os exemplos são vários. E no meio de tudo, cidadãos que nada têm a ver com qualquer ameaça a qualquer das partes empreendem um êxodo a países vizinhos, ao mesmo tempo em que estrangeiros são capturados e degolados diante das câmeras de TV.
 
O sonho de uma paz duradoura ainda está distante -- aliás, como sempre esteve em toda a história da humanidade. Qualquer fanatismo ou fundamentalismo é perigoso para quem com eles não comunga. Nem as mensagens de paz deixadas por Cristo e pelos mártires e profetas do cristianismo; por Maomé, por Buda ou por qualquer outra denominação de divindade são capazes de clamar pela consciência daqueles que ignoram tentativas de estabelecimento da paz em tempos de guerra. A violência, em todas as suas vertentes, inclusive a urbana, que ceifa vidas — e a nossa História já mostrou isso — é o caminho oposto ao que todos nós almejamos. As agressões, as violências, as selvagerias, partam de onde partirem, só servem para exacerbar os ânimos e impedir o avanço da Humanidade em sua busca pela paz que, embora ainda seja possível, está ficando cada vez mais difícil.
 
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