O Enem realizado em 2013 e revelado em dezembro de 2014 pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) proporciona dicas. É claro que primeiros lugares não devem ser levados a sério quando são de escolas pequenas que funcionam no endereço de gigantes. Escolhem os melhores alunos e os colocam na ‘escola de elite’. É claro que não julgam isso picaretagem! Escolas de São Paulo dominam as primeiras posições. Enquanto a média do Brasil é de 482,31 pontos, a de São Paulo, que tem as maiores redes pública e particular do Brasil, é 514,02. A rede pública teve 499 pontos e a particular, 563,48. Das cem melhores escolas, 77 são do Sudeste, apenas sete escolas públicas. A melhor pública é o Colégio de Aplicação de Coluni, ligada à Universidade Federal de Viçosa. No Brasil, as médias das particulares na parte objetiva foi de 553,68 e das públicas foi de 482,31.
A escola pública paulista melhor colocada está na 116ª posição, o Colégio Técnico ligado à Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que teve nota 654,90. A segunda é a Escola Técnica Estadual de SP, com nota 654,64, seguida do campus Cubatão do Instituto Federal de SP, que teve nota 648,06. Pela primeira vez, avaliou-se a diferença entre colégios particulares e gratuitos considerando-se características socioeconômicas de alunos. A diferença é menor de 5%. E é a pobreza que influencia.
O Inep estabeleceu sete grupos socioeconômicos. Nos dois níveis mais baixos, mais pobres, alunos da rede pública têm média 449,05 na prova objetiva, já a média da rede particular nesse grupo é de 452,66. É incrível constatar que a diferença entre escolas públicas e privadas se deve a pobreza do aluno. É oportunidade para autoridades e professores lidarem com o problema ‘aluno’ a partir de novo ponto de vista. A escola precisa de educadores, não só professores, com participação de igrejas, polícias e sociedade em geral. Mãos à obra?
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)
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