Uma leitora, dizendo-se motivada por novela a que assiste, perguntou-nos se é possível um espírito tornar-se um “encosto”, no sentido de permanecer indefinidamente com uma pessoa.
Respondemos que, conforme nos ensina o Espiritismo (questão 459 de O Livro dos Espíritos), entidades espirituais vinculam-se a uma pessoa segundo a natureza do seu pensamento. Eis a tão propalada sintonia vibratória, que nos cabe administrar.
A permanência dos espíritos que atraímos segundo a natureza dos nossos pensamentos, sejam bons ou sejam maus, durará o tempo que durar a nossa conduta moral que lhes corresponda. Vê-se que a influência espiritual não ocorre por acaso. Ela surge em virtude do nosso modo de ser. Somos transceptores de ondas psíquicas. Porquanto, não nos iludamos, jamais poderemos contar com parceria espiritual estranha ao que pensamos e fazemos. Emmanuel, mentor espiritual de Chico Xavier, no seu aprofundado Pensamento e vida, psicografia deste último, referindo-se ao ilimitado entrecruzamento de ondas psíquicas que nos cerca, diz: “Vivemos mergulhados num oceano de pensamentos”.
Com efeito, é a nós, os encarnados, pela maneira como pensamos e agimos, que cabe escolher os companheiros invisíveis, que nos potencializarão as intenções. Triste exemplo é o da decisão de cometimento de um ato criminoso, ao que, muitas vezes, segue, na pessoa do agente, doloroso arrependimento. Inalcançáveis pela lei dos homens, mas, inapelavelmente sujeitos às leis divinas, os espíritos responderão pelos seus crimes, tanto quanto o agente encarnado, na justa medida da consciência do respectivo grau de culpa.
Diz-se “encosto” a prolongada influência obsessiva que pode apresentar diferentes graus, da obsessão simples à subjugação, ou possessão.
Que não nos esqueçamos de que a natureza da invariável parceria de espíritos no que pensamos e fazemos é sempre resultado da nossa livre vontade.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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