Luara Prieto Ribeiro tinha apenas 25 anos e uma vida inteira para desfrutar. Porém, no dia 9 de janeiro do ano passado, ela morreria após um verdadeiro calvário que incluiu oito passagens pelo Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” e duas cirurgias na Santa Casa de Misericórdia de Franca. A causa mortis, registrada em laudo do IML (Instituto Médico Legal), apontou hemorragia. Durante os dias de sofrimento, os médicos que a atenderam insistiam em que seria uma simples infecção urinária. Hoje o inquérito policial ainda não foi concluído, já que a Polícia Civil aguarda o resultado da investigação do Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo). Quando será terminada, ninguém sabe. Já da sindicância aberta pela Secretaria Municipal de Saúde, anunciada na época, também não se tem notícia.
Com isso, os familiares de Luara continuam aguardando uma resposta para o que aconteceu. A merendeira Márcia Prieto, mãe de Luara, continua sofrendo com a perda da filha única. O pai, o comerciante Silson Ribeiro, também se emociona, como mostrou reportagem publicada ontem pelo Comércio. A falta de informações a respeito do que levou a jovem francana a passar por tal calvário, que culminou com sua morte, é o que mais deixa indignados familiares, amigos e todos os que acompanharam o caso. O Comércio não conseguiu uma posição oficial da Prefeitura e da Santa Casa. Ambos, mais uma vez, se calam quando precisam dar respostas a uma família dilacerada. Foi o que fizeram na época e fazem agora, um ano depois.
Como já deixamos claro aqui, certamente o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) imagina que, ao ignorar o assunto, um dia ele deixa de existir. Desde quando Luara Prieto perdeu a vida — e em casos semelhantes, ocorridos depois —, o chefe do Executivo francano e seus auxiliares diretos não foram a público para pelo menos assumir que algo poderia estar errado e se desculpar com os familiares da jovem. Ao contrário, agiram todos como avestruzes com a cabeça enfiada na terra, ignorando totalmente o sofrimento de quem aqui vive, produz e paga seus impostos. Faltou solidariedade humana e espírito de fraternidade, numa clara demonstração do que move a atual administração municipal.
Porém, continuamos aqui, acompanhando tudo para evitar que a morte de Luara Prieto Ribeiro tenha sido em vão. Que pelo menos seja capaz, um dia, de servir para a melhoria do serviço público de saúde prestado no município. A perda de uma vida humana, principalmente nas circunstâncias em que ocorreu a de Luara, não pode ser admitida com naturalidade. Também não podemos deixar que caia no esquecimento, pois sua família exige explicações, assim como todos os que acompanharam o caso. Os responsáveis precisam ser identificados, julgados e punidos. A Prefeitura tem que se posicionar, não apenas nesta ocorrência mas também nos outros em que ocorreram mortes inexplicáveis nos meses subsequentes. É uma situação grave que não pode ser ignorada. E todos cobramos uma resposta.
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