Vinte e sete de setembro de 2014, manhã de sábado. Duas meninas acordam com estranhos em sua residência fazendo ameaças de morte a seu pai, um empresário de 41 anos, morador do Jardim Luiza. Momentos após, a vítima de roubo se vê amarrada à sua própria cama enquanto os ladrões se distanciam levando veículo, joias, pepitas de ouro e R$ 2 mil em dinheiro, entre outros objetos. Dezesseis de novembro do mesmo ano. Três homens rendem e amarram funcionários da Funerária São Francisco, na região central da cidade. Armados, os bandidos fogem em veículo do próprio estabelecimento, levando um cofre com R$ 15 mil em dinheiro e R$ 15 mil em cheques, que somados a outros três roubos sofridos nos últimos 5 anos levaram a funerária a um prejuízo de R$ 95 mil.
Esses casos são o retrato de uma modalidade de crime que cresceu em Franca no último ano: roubo. Com violência em inúmeros casos, os cinco distritos policiais da cidade registraram juntos uma média de 79 ocorrências mensais do tipo entre janeiro e novembro de 2014. No mesmo período de 2013, a média mensal era de 60 casos, nove a menos da que foi registrada em 2012, conforme estatísticas da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Ainda segundo a Secretaria, o 2º Distrito Policial (veja mapa nesta página) é o que mais tem registrado esse tipo de ocorrência nesses últimos três anos.
De acordo com o capitão Max Wilson, chefe do Setor de Comunicação Social do 15º Batalhão da PM, a densidade populacional da zona urbana correspondente ao 2º DP pode explicar a liderança do mesmo neste ranking. Também para ele, o aumento de ocorrências observado em 2014 tem ligação com novos dispositivos da Polícia. “A população teve maior acesso à Delegacia Eletrônica, o que facilitou os registros dos Boletins de Ocorrência”, disse. “Também temos de observar outros dados estatísticos. No mesmo período de comparação (janeiro a novembro de 2013 e 2014), tivemos em nossas atividades operacionais: maior número de abordagens, presos em flagrantes, condenados capturados e apreensões de armas de fogo - muitas delas utilizadas nas práticas de roubo”, completou.
Mesmo com a intensificação das atividades da Polícia, a desfaçatez dos criminosos ainda é grande e nem mesmo os policiais se viram livres dela. Em novembro do ano passado, um agente teve, entre outros objetos, sua farda completa levada de dentro de sua residência.
O resultado de ousadias como esta tornou-se um marco visual na paisagem de Franca. Em matéria publicada pelo Comércio em novembro passado, A Arquitetura do Medo foi o tema de uma reportagem que registrou em diversos bairros da cidade a troca de bate-papos entre vizinhos em tardes de calor por grades nas janelas, grandes muros e cercas elétricas - acessórios antigamente comuns apenas a presídios e casas de reclusão.
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