Corpo de menino só é liberado 15h após acidente


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O corpo do menino Gabriel Júnior Pereira de Paula, de 10 anos, foi velado na Igreja São Judas
O corpo do menino Gabriel Júnior Pereira de Paula, de 10 anos, foi velado na Igreja São Judas
Um jogo de empurra entre Polícia Civil e IML (Instituto Médico Legal) prolongou a dor da família do garoto Gabriel Júnior Pereira de Paula, 10, atropelado e morto, quinta-feira à noite, após correr atrás de uma pipa na rodovia Cândido Portinari. O acidente aconteceu por volta das 19h30 e o corpo só foi liberado na manhã de ontem. Quando o velório começou, às 10h30, já haviam se passado 15 horas. “Isto porque gritei na rádio”, afirmou Kely Cristiane, mãe da vítima.
 
Ela disse que o calvário começou às 21 horas, quando a família tentou a liberação do corpo pela primeira vez. “Procuramos o IML e eles disseram que não daria tempo, pois o médico plantonista estaria lá só até as dez da noite.” Nova tentativa, em vão, foi realizada durante a madrugada.
 
Às 6h50, Kely ligou para o Comércio e pediu ajuda. Em seguida, fez um desabafo ao vivo na Difusora. “Perdi o direito de ter os últimos momentos com o meu filho. Falta de respeito é pouco. É desumano o que eles fazem com as pessoas pobres. Eles tratam a gente como um cachorro que morreu na rua: ‘Ah, deixa lá, a hora que der passa e recolhe’. É assim que estamos sendo tratados em Franca”.
 
A mãe da criança afirmou ser impossível descrever o que estava sentindo. “É uma dor dupla: a dor da perda e a dor do descaso de ser tratada como um nada.” 
 
Treze horas após o acidente, às 8h30, o corpo, enfim, saiu do IML. Ainda foi preciso ser preparado pela funerária antes de ser levado ao velório. “Infelizmente, por sermos os últimos da cadeia de investigação, a gente sempre paga o pato, mas a falha não foi nossa. A colega plantonista estava no IML às 10 da noite, mas a requisição por parte da Polícia Civil só chegou às 4h20. Legalmente, não podemos fazer exames antes da comunicação oficial”, disse o médico Marcos Vinícius, chefe do IML. 
 
O Boletim de Ocorrência referente à morte de Gabriel foi concluído à 1 hora da madrugada. Segundo a Polícia Civil, por conta de três flagrantes que estavam sendo elaborados na delegacia, não foi possível entregar a requisição no IML antes e que, se quisesse, a médica plantonista poderia ter feito o exame tão logo recebeu a comunicação por volta das 4 horas. Já o IML alega que tem por norma não realizar exames das 23 às 7 horas por conta da luminosidade, pois pode haver prejuízo nos laudos. 
 
“Como pode uma cidade do tamanho de Franca demorar tanto tempo para liberar o corpo de uma criança de 10 anos?”, questionou a mãe de Gabriel.
 

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