O que será da Francana?


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Atravessando problemas há mais de uma década, com dívidas ascendentes e sem condições de formar pelo menos um time de capacidade mediana para disputar a terceira divisão do futebol paulista, a Associação Atlética Francana, fundada há mais de cem anos, está prestes a atingir o fundo do poço, de onde pode não conseguir mais emergir. Antes mesmo de estrear na série A3 do Paulistão, o time começou a se desmantelar na manhã de ontem com a decisão do presidente do clube, Junior Abreu (eleito no final do ano passado), de renunciar ao cargo. À tarde, o técnico Júlio Sérgio — que vinha comandando a pré-temporada do elenco em Nuporanga —, também resolveu pegar o boné e abandonar o barco esmeraldino.
 
Em meio a esta indecisão, o elenco começa a esfacelar, em razão da falta de pagamento. A situação toda coloca um ponto de interrogação no futuro da amada ‘Veterana’, que já levou mais de 20 mil torcedores ao estádio municipal “José Lancha Filho”, o Lanchão, além de integrar a principal série do Paulistão, disputando partidas memoráveis contra os grandes times de São Paulo. As tardes de domingo, pelo menos nas duas últimas décadas, nunca mais foram as mesmas. Uma sucessão de erros colocou o clube numa situação de quase falência. Houve aventuras administrativas, com a ação de empresários que ajudaram a sepultar toda a pujança e a história gloriosa de um clube que já reuniu em torno de si, além de milhares de torcedores aficionados, nomes dos mais proeminentes da sociedade francana em sua direção.
 
As dívidas da A. A. Francana perduram e crescem, sem que surja qualquer solução ideal para quitá-las. A proposta feita há alguns anos pelo então prefeito Sidnei Rocha, que seria capaz de resolver a quase totalidade das pendências financeiras, acabou sendo recusada. Naquela época, a Prefeitura se propunha a comprar o terreno do antigo estádio “Coronel Nhô Chico”, para transformá-lo em estacionamento. Com o dinheiro, as dívidas poderiam ser abatidas, aliviando o sufoco da agremiação. Hoje, a Francana se resume a um terreno em área valorizada no centro da cidade. Até o clube recreativo, sem sócios, teve que ser arrendado para uma entidade sindical.
 
É preciso que o Conselho Deliberativo esmeraldino abandone qualquer prurido e permita que a Francana pelo menos resolva seu passivo, com a venda (ou arrendamento) do terreno que hoje é raramente usado. Nem para treinamento tem servido. Somente assim é que poderá voltar a investir de forma mais efetiva no futebol, apagando campanhas medíocres com atletas disputando campeonatos em troca de salários aviltantes. Ou então, que se crie uma agremiação capaz de representar a cidade com mais dignidade, a partir do zero, afastando os aventureiros que só almejam os holofotes ou então o lucro, sem levar em conta que por trás da Francana existe toda uma cidade e sua história gloriosa. Hoje, a nossa amada ‘Veterana’ não tem qualquer perspectiva de futuro e continua à espera de uma (difícil) solução salvadora.
 
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