Mais uma trapalhada


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Nos dois últimos anos, uma série de fatos deixa claro o desgoverno que toma conta da Prefeitura Municipal de Franca. Denúncias, ações e processos replicam, atingindo uma série de setores da administração, principalmente o da Saúde, com diversas mortes (pelo menos oito) ainda inexplicadas, ligadas ao atendimento prestado pela Prefeitura. Some-se a isso também a ‘indústria das horas extras’ investigada pela Justiça do Trabalho. A municipalidade, além de pagar salários muito acima do normal a médicos, criou ainda as consultas de um minuto, onde os pacientes eram minimamente examinados (é provável que apenas pelo olhar...) para “engordar” o número de procedimentos e, consequentemente, os vencimentos dos médicos.
 
Agora, a Prefeitura de Franca volta à berlinda depois da descoberta de que parte dos agrotóxicos falsificados apreendidos há cerca de um mês na Operação Lavoura Limpa foi furtada. O veneno, armazenado em frascos e caixas, foi guardado no pátio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Serviços, de onde foi levado. Mas, de acordo com as informações, a ação dos ladrões já tinha ocorrido anteriormente. Diante do fato, é de se perguntar: qual a razão de a Prefeitura armazenar o produto, nocivo à saúde humana e bastante perigoso, em um local tão vulnerável? O executivo municipal, através de nota, se exime da responsabilidade, diz que a segurança do local é feita por uma empresa terceirizada e promete abrir uma sindicância para apurar as responsabilidades.
 
Algo que não se engole, principalmente depois que as sindicâncias prometidas pela Secretaria de Saúde para apurar possíveis erros nos atendimentos médicos prestados na rede pública local, após um ano, ainda não foram concluídas — se é que realmente foram feitas. Será que não existe no município outro local mais seguro para guardar o material nocivo, que inclusive estava colocando em risco a saúde dos servidores que trabalham no pátio? A Prefeitura tem responsabilidade, sim, já que não providenciou um reforço na segurança. O material foi colocado numa região problemática, onde ocorrências policiais são continuamente registradas relatando um alto índice de furtos.
 
Mais uma vez, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) se cala diante de uma situação que poderia ter sido evitada. Com isso, deixa clara a sua inaptidão administrativa e a falta de rumo na qual lançou a cidade de Franca. O que se espera é que, agora, a Polícia Civil e o Ministério Público investiguem esta ocorrência e responsabilizem a quem de direito. A administração municipal tratou o armazenamento do veneno falso como uma coisa qualquer, quando não era. O chefe do Executivo francano ainda não aprendeu a assumir os seus próprios erros e os dos seus comandados. Assim como no caso envolvendo o acordo fechado na surdina com a Empresa São José, há quase dois anos, e vários outros subsequentes, ele avalia que não precisa dar explicações e nem cobrá-las de seus auxiliares. Mas, agora, terá que reconhecer mais uma falha e explicá-la aos investigadores, à polícia. O sumiço do veneno é bastante grave para cair no esquecimento, como Alexandre Ferreira espera que aconteça ao se calar. Aliás, este é um verbo que ele sabe conjugar como poucos, na primeira pessoa do singular. 
 
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