Questão de bom senso


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A exigência de que os carros brasileiros passem a usar o tipo de extintor ABC, em substituição ao BC, largamente utilizado no País, foi adiada por 90 dias em razão das reclamações dos proprietários de automóveis que não encontravam o acessório no comércio. Embora esteja prevista há mais de uma década, a substituição entraria em vigor apenas no primeiro dia deste ano. Menos de uma semana depois, precisou ser adiada. Como uma série de determinações legais que entram em vigor em nosso País, esta também não levou em conta as dificuldades que os motoristas encontrariam, já que o novo extintor já custa pelo menos três vezes mais do que o utilizado até então. E, o que é pior, durante o prazo de transição os extintores antigos continuaram sendo fabricados e vendidos. Com a lei, a sua fabricação deveria ter sido descontinuada, o que poderia evitar os problemas enfrentados pelos donos de veículos nos últimos dias.
 
Mas isto é algo que se repete com medidas legais criadas e aprovadas no Brasil. Quem não se lembra da obrigatoriedade de cada automóvel possuir um kit de primeiros-socorros, com esparadrapo, gaze e outros materiais? Muita gente chegou a levar multa por causa da determinação do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) que, meses depois, acabou sendo cancelada. Os gastos dos motoristas foram desconsiderados e só os fabricantes dos tais kits, que se mostraram inúteis, ganharam. São coisas que só acontecem no Brasil, com uma repetição desconcertante, sem que os erros sirvam de exemplo, mostrando o que não se deve fazer.
 
Outro caso foi a normatização e padronização das tomadas elétricas no Brasil. Criou-se um padrão que não é utilizado em nenhum País do mundo, com três pinos, desconsiderando os modelos da Europa, EUA e Japão, os mais utilizados no mundo. Mais gastos para adequar os padrões antigos. E, quem trocou todos os pontos de energia elétrica em casa não consegue plugar aparelhos comprados em outros países ou fabricados antes da medida entrar em vigor. Mesmo diante do alerta de especialistas, insiste-se na manutenção da norma. Mais gastos para o bolso do brasileiro, que é obrigado a procurar cabos compatíveis ou utilizar os famosos “tes”, dispositivos capazes de adaptar padrões diferentes ao oficial.
 
É sempre assim que acontece, envolvendo a legislação brasileira. Falta bom senso, como se mostrou agora com os extintores. Mas a insensatez já foi registrada no caso dos cintos de segurança de três pontos para todos os carros, mesmo os mais antigos, e o encosto de cabeça nos bancos traseiros. Muita gente gastou para adequar seu carro à legislação, a qual acabou sendo descontinuada algum tempo depois. Até quando poderemos suportar esta verdadeira farra, que só serve para a afirmação dos legisladores e das autoridades de sua própria ‘importância’? A partir do momento em que qualquer decisão antes de ser tomada passe a ser estudada, inclusive mensurando os seus impactos sobre o orçamento do já sobrecarregado contribuinte brasileiro, é que serão evitados problemas como os de agora, com os extintores.
 
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