Um mês após a realização da Operação Lavoura Limpa, parte dos agrotóxicos falsificados apreendidos foi furtada. O veneno, caixas e frascos estão guardados no pátio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Serviços, de onde foram levados esta semana. Não se sabe a quantidade do produto que retornou para as mãos dos criminosos. O sumiço será investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. Suspeita-se que os ladrões tenham recebido informações privilegiadas. Denúncia anônima feita ao Comércio afirma que os furtos ocorrem com frequência no local por falta de proteção. A Prefeitura de Franca alegou que a segurança é de responsabilidade de uma empresa terceirizada e que abriu uma sindicância interna para apuração.
A megaoperação foi realizada no dia 5 de dezembro e culminou na prisão de uma quadrilha especializada em falsificar agrotóxicos. Foram apreendidos mais de 60 veículos, milhares de produtos usados na falsificação e armas de fogo. O local em que as máquinas dos laboratórios clandestinos, os venenos e embalagens apreendidos estavam guardados foi mantido em sigilo pelas autoridades.
A informação de que estavam em área da Prefeitura tornou-se pública na segunda-feira, quando um funcionário da secretaria de Obras e Meio Ambiente registrou a ocorrência de furto no 5º DP. O alambrado foi cortado para possibilitar a invasão, que teria ocorrido durante o fim de semana. Não foi informado quais e quantos agrotóxicos foram levados pelos criminosos.
Não teria sido a primeira vez que os venenos são furtados da área pertencente à Prefeitura. Um servidor público municipal disse ao Comércio que os produtos apreendidos estão sendo levados todas as semanas. Ele também afirmou que os agrotóxicos falsos estão mal armazenados e prejudicando os funcionários. A denúncia foi acompanhada de fotos mostrando caixas e frascos espalhados pelo pátio, algumas ao lado de plantação de abóbora e cebolinha.
Procurada pelo Comércio para comentar o furto e as denúncias do servidor, a Assessoria de Comunicação da Prefeitura disse que iria contatar o secretário Ismar Tavares e que retornaria, o que não aconteceu até o fechamento desta edição. Manteve apenas a informação inicial de que abriu apuração interna para checar como o furto ocorreu.
O promotor Rafael Piola, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), disse que requisitará filmagens e pedirá esclarecimentos à Secretaria sobre o furto. Também vai buscar alternativas para retirar e até mesmo destruir os produtos que estão armazenados no local.
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