A região de Franca registrou a quarta morte por afogamento em um intervalo de apenas cinco dias. A mais recente vítima foi o representante comercial Luís Felippe Rossato, 26, que desapareceu na tarde de sábado, 3, na cachoeira “Zé Carlinhos”, que fica em uma propriedade particular em Delfinópolis (MG). O corpo da vítima foi encontrado no fim da manhã de domingo pelo Corpo de Bombeiros de Passos (MG) e sepultado na tarde de ontem no cemitério da Saudade.
Amigos que estavam com Luís Felippe no momento do acidente disseram que o grupo de nove pessoas chegou à cachoeira por volta das 15h30 para passar o dia. Eles contaram que o representante comercial subiu na parte de cima da cachoeira com outros dois colegas do grupo e que ele pulou sozinho no poço. Luís Felippe foi então levado pela correnteza, que estava forte. “O lugar nem era alto. A namorada do Luís Felippe até disse para ele não pular. Ele falou que não iria pular, mas acabou pulando. Quando ele caiu na água, vimos que ele tentou segurar nas pedras, mas acabou sendo levado pela correnteza. Então não vimos mais ele”, disse a auxiliar de programação Letícia Sampaio, 22, que era amiga da vítima há cerca de dez anos.
Letícia contou que outras pessoas que estavam na cachoeira tentaram auxiliar o grupo na busca por Luís Felippe. Disse que são cobrados R$ 5 para ter acesso à propriedade que, segundo ela, não possui nenhuma estrutura de socorro, alimentação ou banheiros. A auxiliar de programação relatou ainda que o grupo de amigos tentou chamar a polícia e os bombeiros ainda no sábado, mas as buscas só começaram na manhã de domingo. “Ninguém nos orientou sobre o que fazer. Polícia, bombeiros, cada um mandava a gente ligar para o outro. Nem foram lá no dia. O acesso lá também era muito difícil.”
A prima de Luís Felippe, a representante comercial Michele Gomes, 32, que acompanhou a busca pela vítima no domingo também reclamou da falta de estrutura em Delfinópolis. “A equipe de bombeiros que fez a busca foi muito humana e deu muito apoio a nós, familiares, mas ficamos chocados com a falta de estrutura de uma cidade turística como Delfinópolis, que não tem bombeiros, perícia, nada”, disse Michele, completando que a vítima foi encontrada por volta das 11 da manhã do domingo, duas horas após o início da busca, próximo à cachoeira, mas o corpo do representante comercial só foi retirado da água e liberado para os trabalhos funerários por volta das 18 horas. Segundo Michele, a perícia constatou que o representante comercial morreu por afogamento.
Sepultamento
O velório de Luís Felippe Rossato começou às 2 horas da madrugada de segunda-feira, no São Vicente, e ele foi sepultado às 14 horas do mesmo dia, no cemitério da Saudade. De acordo com Michele, a família ficou muito abalada com o ocorrido. “Meus tios nem quiseram ir para Delfinópolis, pois já estavam prevendo o pior. É um momento de muita dor. Estamos querendo saber o porquê dessa tragédia, mas ninguém consegue explicar. A mãe dele está acabada. Ele era um filho muito amoroso, uma pessoa alegre, que não bebia. Estamos sem explicação.”
Luís Felippe era filho da dona da loja francana Baby Fios.
Letícia disse ainda que a vítima tinha uma namorada, que estava no local no momento do acidente. “Ele estava bem na carreira, queria se casar. Eles estavam juntos há um ano. A namorada dele e a família da moça ficaram muito chocadas também.”
Outros casos
Outras três pessoas morreram na região por afogamento na última semana. No dia 29 de dezembro, Israel Rodrigues Martins, 14, se afogou em uma cachoeira em Ibiraci (MG). No dia 1º, Luiz Romário da Silva, 20, morreu afogado em um pesqueiro em Miguelópolis. Na sexta-feira, 2, Ênio Bento, 66 anos, também morreu vítima de afogamento, na “prainha” em Patrocínio Paulista.
“A maior parte dos afogamentos tem como vítimas pessoas que não sabem nadar e que não conhecem o local. É preciso ter cuidado e evitar locais que não têm segurança. Se a água passar do umbigo, não entre”, disse o capitão Marcelino Patrício Santos, do Corpo de Bombeiros.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.