A estagnação da economia prenuncia crescimento do desemprego. Os índices que mensuram registram o número de pessoas que procuram emprego e não as inativas economicamente. Se num cenário ruim desiste-se da busca por falta de expectativa, incentivos como Bolsa Família e Seguro-Desemprego tornam-se ‘o trabalho’ de parcela expressiva da população. Esses programas, positivos para tirar milhões da miséria, são nocivos quando desestimulam o preparo profissional.
Segundo o PNDU (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), o número médio de anos de frequência à escola, pelo trabalhador brasileiro, passou de 2,6 para 7,2 entre 1980 e 2012. O salto é inferior à expansão de grandes centros onde oferta de vagas em escolas contribuem à permanência no estudo. No período pesquisado, o Brasil sempre ocupou a segunda pior média entre os BRICs, atrás apenas da Índia. O problema não se restringe apenas aos que frequentaram escola por pouco tempo ou não o fizeram. Levantamento da PUC/Brasília em fevereiro de 2014, entre 800 de seus alunos, constatou que metade era de analfabetos funcionais!
Então, não há porque esperar que a economia brasileira seja competitiva. De acordo com o Conference Board, a taxa de crescimento médio de produtividade no trabalho entre 2003 e 2012 no país foi de 1,1%, a menor entre as economias emergentes.
Mais insustentável ainda é a expansão salarial dos últimos anos. O rendimento real dos brasileiros ocupados foi estimado em R$ 1.966,90 pelo IBGE (dez. de 2013), 3,2% acima do apurado um ano antes (R$ 1.905,68). E entre 2004 e 2012 a média de crescimento da massa salarial real foi de 5,2% ao ano. Então, enquanto a economia perdia produtividade, o gasto das empresas com os trabalhadores crescia. Como a equação baixa produtividade/aumento substancial de salários não fecha, empresas, para equilibrar, despedem.
Susana Falchi
CEO da HSD Consultoria em Recursos Humanos
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.