Sacrifício deve ser de todos


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Vários governadores empossados no último dia primeiro, como Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo, José Ivo Sartori (PMDB) no Rio Grande do Sul e Rodrigo Rollemberg (PSB) no Distrito Federal, entre vários outros, anunciaram em seu primeiro dia de trabalho o corte nos gastos para evitar o descontrole das contas públicas. Alckmin, por exemplo, anunciou uma redução de pelo menos 10%, com o corte dos cargos comissionados (servidores indicados para o funcionalismo público sem a necessidade de concurso público), numa tentativa de aumentar as verbas para investimentos sem a necessidade de aumentar ou criar impostos para manter as finanças dentro dos limites impostos pela LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal).
 
O que não se entende é porque não se toma esta mesma atitude no governo federal, numa tentativa de evitar que as medidas anunciadas para reduzir o déficit fiscal comprometam os direitos e os investimentos dos trabalhadores e do setor produtivo. Até agora, houve um recrudescimento na concessão de benefícios como o seguro-desemprego e pensão por morte, entre outros, além da elevação dos juros subsidiados nos créditos concedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Isso sem falar nos estudos que indicam o retorno de taxas como a CPMF (Contribuição sobre Movimentações Financeiras, o chamado imposto do cheque) e da Cide (taxa incidente sobre o preço da gasolina e do diesel). Vê-se que o governo federal busca resolver seu descontrole fiscal aumentando os impostos e taxas.
 
A carga tributária, injusta e incidente sobre rendimento e consumo, já é bastante pesada e deve aumentar neste ano, que nem bem começou e já faz o brasileiro pagar mais pela energia elétrica. Diante da situação atual, o esforço deveria ser de todos, atingindo inclusive a máquina administrativa e os salários pagos aos agentes políticos. Mas não é isso o que acontece. A nova equipe econômica da presidente Dilma Rousseff (PT) nem toca no assunto. No apagar das luzes do ano de 2014, o Congresso Nacional aprovou aumento nos vencimentos dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) que cria um efeito-cascata: a Constituição vincula salários de deputados estaduais, vereadores, juízes, desembargadores, promotores e procuradores de Justiça ao valor recebido pela cúpula dos poderes Legislativo e Judiciário. O reajuste nos contracheques produzirá um efeito cascata com impacto anual de pelo menos R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos.
 
Enquanto se cobra dos trabalhadores o aperto nos cintos, as autoridades dos Três Poderes, que têm um rendimento superior à maioria dos trabalhadores brasileiros, não demonstram qualquer preocupação em fazer a sua parte. Cobra-se do cidadão comum o que eles não seguem. Uma redução da máquina pública, com o corte de servidores comissionados, também não é cogitada, o que só faz aumentar a insatisfação do brasileiro com as nossas instituições que, em vez de dar o exemplo, agem de forma diametralmente oposta ao que exigem do contribuinte.
 
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