Certamente nos abraçamos e desejamos em dobro tudo aquilo de bom que nossos queridos desejaram para nós e, assim, com renovadas esperanças, possamos começar o que, de fato, não acabou. O triste foi o contraste entre nossas mensagens e o que nos “desejou” a economia - ainda bem que aprendemos desde cedo a desconfiar dos meteorologistas, dos nutrólogos e dos economistas, coisas do livre arbítrio.
A gastronomia também deixou a sua mensagem, aliás ela vem sendo cozida há algum tempo, mas agora não deixa dúvidas e até se vestiu de chique, inventou moda e parece ter acertado na mais nova onda econômica. Ser mais barato, vender comida mais barata é o lema número um, mas ele está atrelado a outro lema número um: a qualidade e sabor da comida - e é aí a grande diferença entre simplesmente vender um PF.
Por aqui, eles gostam de serem chamados de “os sem toalhas”, mas lá fora, na França, onde começou o movimento, eles se chamam bistronomie. A intenção: contrapor-se aos restaurantes de alta gastronomia, que, em troca dos olhos da nossa cara, nos dão um prato de comida. A ideia é funcional: manter a qualidade da comida servida, optar por ingredientes mais baratos e retirar toda a gordura que geralmente mora nas etiquetas do salão. Maître, sommelier, manobristas, toalhas nas mesas, enfeites, louçaria cara saem fora. Ficam: ambientes pequenos, enxutos, funcionais e fora dos centros dito gastronômicos.
Dá pra ser feliz? Depende é a melhor resposta, porque pode beirar ao caos e desatenção. Óbvio, ninguém vai servir a sua taça de vinhos, mas o vinho deve estar na temperatura correta; as taças não serão de cristal, mas devem estar limpas, aliás, antes de tudo, deve haver uma taça, né. Aqui em São Paulo, houve muito entusiasmo, depois muita crítica, mas o modelo deve prevalecer e, claro, o próprio mercado deve selecionar.
Acompanho de perto essa empreitada, ela me interessa não apenas como comensal, mas profissionalmente também. Vejo que a conta é difícil de ser fechada, acho difícil que o negócio não seja tocado pelo próprio dono e, principalmente, a atenção total à matéria prima que deverá passar embaixo da varinha mágica dos chefs de cozinha.
Fiz uma lista daqueles que acho serem os principais restaurantes símbolos desse movimento e tentarei visitá-los ao longo do ano e quero muito mantê-los informados de tudo.
Em Paris, há um guia badalado - quase como o Michelin - que ranqueia esses bistrôs baratos e excelentes. Minha irmã está passando férias por lá, encomendei o meu para falarmos deles por aqui. Claro, sem promessas de visitas...infelizmente.
DICA DA SEMANA
Granola
Meu novo encantamento, mais pela aparência que pelas receitas, confesso, chama-se: Quando Katie cozinha. Achei bem interessante uma receita de granola ou muesli caseira que ela dá. A Katie ensina a dar aquele crocante e cor dourada aos cereais. Importante ter: coco ralado, gérmen de trigo, aveia em flocos, amêndoas, avelã e uvas passas. A quantidade do líquido da receita dá para 1,5 de cereais. Apenas metade dos grãos deverão ser umedecidos com o caldo e torrados em seguida por 1 hora. Não se esqueçam de forrar uma forma grande com papel manteiga. O caldo é: 3 colheres de sopa de óleo de canola, 3 colheres de sopa de mel e 4 colheres de sopa de xarope de bordo (maple syrup) ou pode substituir por xarope de glucose, claro que não é igual... Junte os três e aqueça por 5 minutos antes de banhar cerca de 750 gramas de cereais.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.