Especialistas da Comissão de Autenticidade das Obras de Cândido Portinari, foram responsáveis pelo estudo do afresco inédito, que foi descoberto durante o restauro do Museu Casa de Portinari, na cidade de Brodowski. Os pesquisadores concluíram que o artista teve contribuição para a realização do afresco, mas que a pintura teve a participação de outro artista, não identificado para a realização da obra. O resultado foi divulgado às vésperas das comemorações dos 111 anos de nascimento de Portinari, celebrado no último dia 30 de dezembro.
Batizado como A Madona com Menino Jesus, a obra não pode ser considerada finalizada, mas um estudo de figuras e da aplicação dos tons pastéis. A Comissão concluiu, que deve ser inscrita no rol das obras autênticas do artista, mas, com a observação de que sua autoria é compartilhada.
Segundo informações, Portinari orientou outro artista na execução geral da obra e pintou, ele mesmo, o detalhe do rosto do Menino Jesus.
Christina Penna, Edson Motta, Cláudio Valério e Noélia Coutinho foram responsáveis pela assinatura do laudo, além de João Cândido Portinari, diretor-geral do Projeto Portinari e filho do artista.
Em maio deste ano foram feitas as primeiras análises. O afresco foi descoberto durante as obras de restauro realizadas pelo Governo do Estado, proprietário do museu, entre 2012 e 2013. Coberta por camadas de tinta de parede comum a pintura estava ao lado de uma porta.
Casa onde o artista passou a infância e onde retornava frequentemente. Foi uma grande escola e oficina para ele, que ocupou as paredes com rascunhos e obras finalizadas com técnicas de pintura.
“A descoberta do novo afresco foi bastante importante porque ele se constitui em um testemunho valioso sobre o processo de trabalho e sobre a relação do Portinari com outros artistas. Ele reforça a dimensão da Casa como um espaço de estudo e trabalho do artista”, afirma, via assessoria, o Secretário de Estado da Cultura de São Paulo, Marcelo Mattos Araújo.
Após o afresco ser descoberto, a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo entrou imediatamente em contato com o Projeto Portinari, que é responsável pela avaliação de autenticidade das obras de Portinari. A obra foi encaminhada a uma comissão especializada para analisar o caso. Três outros artistas, como, Paulo Rossi Osir, José Moraes e Joanita Blank, a convite de Portinari, deixaram também obras nas paredes da Casa.
De acordo com Angélica Fabri, diretora executiva da ACAM Portinari, o fato de Portinari ser um dos responsáveis do afresco, é fortalecido a relação dele com sua terra natal.
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