Ratos, baratas, falta de médicos, espera de dez horas para atendimento, consulta de um minuto, indústria de horas extras. Depois de muito se esforçar para tentar esconder os problemas na Saúde e de afirmar que as sucessivas falhas na sua administração seriam ”invenções“ da imprensa, o prefeito jogou a toalha no dia 4. Alexandre Ferreira (PSDB) decretou situação de emergência nos PSs ”Álvaro Azzuz“ e Infantil para tentar restabelecer os serviços. Especialista ouvido pelo Comércio avalia que o decreto é uma maneira do prefeito se resguardar de eventuais questionamentos judiciais sobre ações já anunciadas que pretende implantar, como a contratação de uma OS (Organização Social) para gerenciar os serviços de urgência e emergência. Politicamente, é um revés, pois Alexandre admite publicamente o caos na Saúde. No texto, ele afirma que o estado do serviço oferecido é ”delicado“ e que a ”desassistência“ está comprovada.
No dia 10, mais uma ocorrência que se tornou rotina no serviço público de Franca: a família do pedreiro Valter Júlio Rossi de Andrade, 34, viveu oito horas de agonia à espera por uma vaga no CTI (Centro de Terapia Intensiva) da Santa de Casa de Franca. Com quadro de pneumonia e após três paradas cardíacas seguidas, Andrade morreu sem atendimento, alegam os familiares. A saga do pedreiro começou no dia 8, quando, com dificuldades para respirar e fortes dores no peito, foi levado até o Pronto-socorro Municipal ”Doutor Álvaro Azzuz“. Na unidade, após receber atendimento e medicação, acabou liberado, retornando para casa. No dia seguinte foi trabalhar mas, piorando seu estado, voltou ao PS, onde foi tratado com dipirona e ficou esperando quase oito horas pela ambulância para ser levado à Santa Casa. Ali, somente após a terceira parada cardíaca é que se tentou levá-lo ao CTI. Mas ele não resistiu e morreu.
A milionária reforma do prédio do “esqueleto” ficará ainda mais cara. A Prefeitura aditou o valor e repassará mais R$ 682,5 mil à construtora responsável pelas obras. O valor previsto na concorrência era R$ 9 milhões. O município já havia gasto R$ 1,7 milhão para comprar o imóvel que encontrava-se abandonado há três décadas. A intenção é abrigar no local a Secretaria de Educação, hoje instalada no Colégio Champagnat.
No dia 25, cerca de 100 pessoas tomaram o terminal de ônibus ”Airton Senna“ na tarde de hoje. Os manifestantes são contra o possível aumento da tarifa do transporte coletivo, que aconteceu em julho. Uma semana antes, um estudo apresentado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), contratada pela Prefeitura, recomendou um aumento de 33% no preço da passagem. O prefeito Alexandre Ferreira havia congelado o preço em R$ 2,80, após os protestos de junho de 2013.
Terminou no dia 31 o prazo para os partidos políticos realizarem convenções para a eleição de outubro. A definição do cenário revelou um número recorde de 16 candidatos por Franca (um deles acabou abandonando a campanha dias depois). A disputa para deputado estadual foi mais acirrada e acabou colocando em risco a manutenção das duas cadeiras que a cidade tem na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Roberto Engler (PSDB) e Gilson de Souza (DEM), que tentavam a reeleição, enfrentaram outros nove concorrentes. Só o primeiro se reelegeu. A briga pela Câmara Federal, com cinco nomes, mostrou-se menos congestionada, mas mesmo assim o único parlamentar de Franca no Congresso, Doutor Ubiali (PSB) não conseguiu se reeleger.
Franca fechou centenas de postos de trabalho neste mês. A cidade demitiu 424 trabalhadores a mais do que contratou em junho, de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O saldo dá ao mês o título de pior junho da história da cidade desde que os números começaram a ser publicados em 2003. Para piorar, o maior responsável pelos desligamentos foi o principal setor econômico da cidade. A indústria dispensou 414 funcionários a mais do que admitiu.
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