Baratas, pombos, ratos, moscas, aranhas e até escorpiões. São com esses animais, transmissores de doenças ou venenosos, que pacientes e funcionários do Pronto-socorro Infantil e do NGA (Núcleo de Gestão Assistencial) são obrigados a conviver diariamente. Desta vez, as acusações contra a Rede Pública de Saúde não partem de opositores ou de pacientes descontentes com o atendimento, mas dos próprios funcionários e do diretor da Divisão de Prontos-socorros, Ricardo Veríssimo Júnior, que, inclusive, pediu a interdição do PS Infantil por falta de condições sanitárias. Em resposta, a secretária de Saúde, Rosane Moscardini, relativizou os problemas e culpou o clima e os vizinhos pela presença dos animais. O prefeito Alexandre Ferreira, por seu turno, insistia que a Saúde Pública de Franca não vivia um caos, mesmo diante dos problemas que vinha registrando.
Logo no dia 6, mais uma família acusava a Rede Pública de Saúde de Franca de descaso e negligência. A diarista Francisca Firmina da Silva, 47, morreu, segundo familiares, 30 minutos após ter alta do Pronto-socorro Municipal ”Álvaro Azzuz“. Francisca deixa marido e quatro filhos. Dois deles são menores. Inconformada, a família registrou boletim de ocorrência, ontem, e pretende processar a Prefeitura.
A mulher casada que denunciou o amante por estupro na madrugada de 1º de março, matou a aposentada Ana Cecília Macedo, 69, no dia 8. A também aposentada, mas por invalidez, Paloma Martins Bastos, 43, do Parati, em Franca, confessou o assassinato da idosa e justificou ter sido por vingança, e disse ter sido “torturada” pela idosa num ritual. O marido dela, vendedor autônomo Eurípedes Balsanulfo Bueno, 55, foi preso em flagrante por receptação. Ele estava de posse do aparelho celular de Ana, um “presente” da mulher. O sapateiro Eliseu Venceslau da Silva, 44. pivô da história que culminou na morte da aposentada prestou depoimento e confirmou ter mantido um relacionamento com Paloma. Ele afirmou que Paloma matou Ana Cecília por engano. “Ela (a) confundiu com a mulher do pastor que participou do tal ritual, o que na verdade era uma oração”. Ana Macedo não estava no local.
Os vereadores de Franca aprovaram na manhã do dia 11 a criação de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para apurar as últimas ocorrências na saúde. Nos últimos meses foram quatro mortes suspeitas. A articulação para criação da CEI foi da vereadora Valéria Marson (PSDB), mesmo partido do prefeito Alexandre Ferreira.
A Justiça de Franca condenou o pastor José Elias da Cruz, 54, a 18 anos e 8 meses de prisão, em regime fechado, pelos crimes de estupro de vulnerável e de violação sexual mediante fraude. Segundo a sentença, o ex-líder religioso da Igreja Paz no Vale, localizada no Jardim Redentor, em Franca, abusou sexualmente de três mulheres, entre elas duas irmãs, com 12 e 15 anos.
O bancário aposentado Roosevelt Mendonça Ribeiro, 67, que residia na rua Thomaz Gonzaga, Centro, em Franca, foi morto a facadas em sua residência, que foi roubada. Horas depois, uma denúncia anônima levou a polícia aos autores. Um casal de namorados, ela de 16 anos, da Cidade Nova, ele, 17, do Jardim Francano, e um amigo, de 20 anos, também do Francano, confessaram o bárbaro crime.
Um relatório do Ministério do Trabalho é o ponto de partida de uma investigação do Ministério Público Estadual sobre a existência de um esquema de megapagamentos a médicos da Rede Municipal de Saúde. Há profissionais que tiveram seus salários turbinados em até cinco vezes com o pagamento de horas extras. Um médico, cujo salário é de R$ 3.282,83, chegou a receber R$ 16.360,40 em horas extras. A denuncia foi feita pela Procuradoria da República. Entre o paciente se apresentar, falar de seu problema, ser examinado, ouvir o diagnóstico e se despedir do médico em boa parte das consultas feitas na UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Aeroporto, não se passava um minuto.
Centenas de servidores municipais demonstraram descontentamento com o prefeito e decidiram cruzar os braços no dia 24. O sindicato da categoria estima que em torno de 1,2 mil pessoas tenham participado dos protestos por melhores salários. A greve afetou escolas, unidades de saúde, setor de obras, assistência social e atendimento ao público em geral. Apenas serviços essenciais foram mantidos, mesmo assim, com a capacidade de atendimento reduzida. A demonstração de força e união dos trabalhadores não sensibilizou o prefeito, que se manteve irredutível e não atendeu integralmente as reivindicações da categoria.
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