Sonhos e realidade


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No final de 2013, prenunciando 2014, indicávamos que o ano novo seria pleno de eventos a estimular a economia. Começaria na grande festa popular brasileira, o Carnaval, seguiria na disputa da Copa do Mundo no Brasil e persistiria no planejamento e execução de obras para a Olimpíada de 2015. No segundo semestre, haveria a celebração da democracia, eleições gerais festejando quase três décadas de estabilidade político-democrática. Eu estava otimista e estávamos todos otimistas, era essa a emoção que nos tomada a todos. 
 
Não previ a derrocada por 7 x 1 do Brasil para o futebol para a Alemanha e nem o ‘petrolão’, que envergonharia o país em todo o mundo. Houve acertos e erros, mas esses dois desastres bateram todos os recordes. 
 
Face ao simbolismo da data, faço um balanço mas não vou me arriscar de novo quanto à economia brasileira em 2015. Mesmo com os mega-eventos que sediamos em 2014, a realidade concreta nos mostra, neste final de 2014, terrível panorama. O crescimento do PIB ficará próximo de zero, revelando a estagnação da economia. A inflação, de há muito, superou a meta (4,5%) e deve ultrapassar seu teto. Nos doze meses anteriores a novembro a alta dos preços medida pelo IPCA chegou a 6,56%. Também permanece elevada a carga tributária.
 
Nas inovações e nos ganhos de produtividade, outro zero! A indústria nacional de transformação perdeu espaço e o nível de emprego, apesar da artificial compensação do setor de serviços é baixo, acarretando problemas no padrão de consumo e aumento da inadimplência. Nas relações econômicas internacionais, o saldo da balança comercial não fugiu à regra: déficit!
 
O que esperar daqui em diante? Haverá disposição e competência para superar os problemas? Sonhamos, e apenas sonhamos que sim, já que a realidade é madrasta: não há esperanças de que 2015 seja um feliz ano novo.
 
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP

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