Condomínios


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Passei alguns dias em condomínio fechado de residências. Morar bem e dividir despesas é ideia bem interessante. Observar a socialização dos condôminos é interessante. 
 
As construções (residências) idênticas no exterior, internamente são decoradas de acordo com o estilo de cada morador, e há ‘competição’ entre eles. 
 
O brinquedo que o filho de um ganha, todos os outros ganham — afinal, não se pode permitir que um filho se reduza perante os coleguinhas. Então, a ‘competição’ adulta se projeta aos filhos. 
 
Presenciei criança, sem dúvida inteligente, conversando com outras. Tinha perfil de líder agressivo. Conversava com as mãos e empurrava quem a ouvia como se tivesse que vencer a qualquer custo. 
 
Filhos, gostemos ou não, são reflexos dos pais. Conheci também seu pai, também inteligente, semblante pacífico que se transformava depois de algum tempo de conversa, em líder agressivo. Estou certo que a inteligência o ajuda a controlar-se. O filho é sua cópia.
 
É quase uma reformulação do conceito de condomínio residencial — dividir despesas e compartilhar benefícios por qualidade de vida — para ‘condomínio que privilegia o ter em detrimento do ser’. 
 
Se ampliarmos a visão, cidades, Estados, países, todo o mundo, podem também ser mensurados sob essa mesma ótica. Precisamos estar atentos. Não se encontra soluções ideais sob pressão. 
 
Que o ano novo que se aproxima não seja outro período de domínio de alguns sobre outros, mas de compreensão do próprio ser, do ego, da vaidade, da agressividade, do ‘outro’ que habita em nós e que nos é tão desconhecido. 
 
Nosso condomínio é esse pequeno planeta chamado Terra mas, para parafrasear a experiência que observei em minhas férias, é da água que nossa Terra é pródiga que temos todos que cuidar com inteligência e, até, se é que o caso, com liderança agressiva mas isenta de quaisquer vaidades. 
 
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
 
 
 

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