Mesmo antes de tomar posse, a presidente Dilma Rousseff (PT)já está tendo uma boa amostra das grandes dificuldades que enfrentará em seu segundo mandato. Além do desafio que é recuperar a economia brasileira, a presidente terá um ainda maior, o qual exigirá todo um jogo de cintura que a presidente ainda não conseguiu demonstrar em quatro anos de Planalto: acomodar uma ampla gama de partidos aliados, das mais diversas correntes ideológicas, sem criar críticas ou defecções. O mais difícil ainda é agradar ao próprio partido e ao PMDB do vice-presidente Michel Temer. Ao se distanciar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos últimos dias, Dilma começa a desagradar aos próprios companheiros de Partido dos Trabalhadores, os quais esperavam ter maior espaço no novo ministério. E a possibilidade de fogo amigo já começa a preocupar a chefe da Nação.
Ao entregar duas pastas consideradas ‘joias da coroa’, os ministérios das Cidades e da Educação, a Gilberto Kassab (PSD) e Cid Gomes (PROS), Dilma deixa claro que não aceitará a ingerência dos maiores partidos de sua coligação. Além disso, com Joaquim Levy e Nélson Barbosa (a única indicação do ex-presidente Lula que acatou) nos ministérios da Fazenda e do Planejamento, respectivamente, a presidente deixa claro que pretende dar uma guinada em relação a seu primeiro mandato, quando praticamente manteve a equipe do antecessor e padrinho político. Agora, pretende dar uma cara nova ao primeiro escalão e, por isso, tem sentido bastante as pressões dos aliados.
Acomodar todos os que a apoiaram no pleito de outubro vai ser difícil, uma vez que nenhum deles mostra-se contente com o desenho que vem se formando. Em razão destas reclamações e críticas, principalmente de parte do PT, Dilma Rousseff deixou para anunciar o restante de seu ministério de quase 40 nomes apenas na próxima semana, pouco antes da posse. Já há partido anunciando que pode deixar a base aliada (caso do PRB, que ameaça retirar seu apoio ao governo depois do PT e do PCdoB reclamarem da indicação do deputado George Hilton para a pasta dos Esportes).
Com isso, além de enfrentar um renovado Congresso, que se afigura mais hostil, com uma oposição mais atuante e diversos parlamentares integrantes da base aliada dispostos a agir com independência do Planalto, a presidente alçou Aloizio Mercadante a interlocutor preferencial na montagem da equipe, o que tem desagradado correntes internas do PT. Ela pode enfrentar resistências dentro do Congresso Nacional e vai precisar de muita conversa para contornar as defecções e conseguir aprovar matérias que considere essenciais, principalmente na área econômica. Dilma precisará munir-se de uma vontade de ferro, porque a tarefa não será fácil e sim hercúlea. Para o bem de todo o País, precisamos torcer para que ela consiga cumprir as tarefas e levar seu planejamento a bom termo.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.