Há tendência de investimento em formação interna de novos gestores. É sinal de carência de executivos maduros. De maneira geral, o mundo acadêmico não forma executivos na plenitude, gerando gap entre conhecimento adquirido no banco da escola e a exigência do mercado de trabalho.
A falta de mão de obra madura não é exclusividade de um ou de outro setor. Vivemos apagão de talentos preparados para assumir posições estratégicas. Ainda assim, destaco três segmentos nos quais esse efeito causou maior impacto. O varejo, no qual o número de redes varejistas que expandiram unidades foi enorme, o que causa alteração significativa na estrutura organizacional e, consequentemente, busca de novos gestores. Outro setor é o da infra-estrutura logística. Com novos projetos de rodovias, portos e transportes o setor passou a ser a bola da vez. Há ainda o agronegócio, que continua agressivamente. Outrora setor de formação técnica, os executivos tiveram que começar a atuar como líderes, reportando-se a investidores, private equity, entre outras frentes.
Com programas de formação executiva implementados nas companhias, o tempo para se ter um líder lapidado passou a ser menor. Hoje é, em média, de dois anos. Ainda assim, pode variar dependendo da estrutura da empresa, podendo se estender ou reduzir em função de variáveis como planejamento estratégico de longo prazo, plano de sucessão de executivos, complexidade da área e da função, nível da posição, entre outros. Os modelos mais praticados no Brasil são os de Assessment, Mentoring e Coaching, além de Educação Corporativa in company e MBA focados em Liderança e Gestão de Pessoas. Eu acredito que liderança é ação, exemplo. Agrada-me mais a formação de líderes ‘on the job’, o profissional é exposto às situações do dia a dia. Não se cria um líder apenas em sala de aula!
Carlos Guilherme Nosé
CEO da Asap Recruiters, consultoria em recrutamento e seleção de executivos
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