Dentre todas as atividades possíveis ao ser humano, creio ser o perdão a que mais agrade o Criador. Não falo do perdão meramente formal e aparente, mas daquele real, verdadeiro, que emerge do fundo da alma e encerra qualquer diferença havida.
A existência terrena é cheia de conflitos, disputas por espaços, vitórias e derrotas que acabam por propiciar embates indesejados com o nosso próximo.Seja no trabalho ou mesmo no ambiente familiar, é bastante comum a ocorrência de desentendimentos que acabam gerando mágoas, eu diria até de maioria desnecessária e banal.
Nesses momentos devemos apreender a liberar o verdadeiro perdão. E essa fantástica e quase divina atitude que dá vida a um bálsamo indescritível que cicatriza todas as feridas da alma e das sensações humanas. Com o verdadeiro perdão, repito deixamos a nossa condição humana para assumirmos atributo divino e os humanos descobriram isso há muito tempo. A frase ‘errar é humano, perdoar é divino’ comprova.
Ao sepultarmos espontaneamente as desavenças, nós libertamos a nossa consciência e semeamos o entendimento em terra fértil. Como bem disse o apóstolo dos gentios, Paulo, ‘aquilo que o homem semear, isso também ceifará’ (Gálatas 6.7). Perdão sincero garante paz e tranquilidade sinceras.
A reconciliação, o perdão íntimo, verdadeiro e incondicional, não são tarefas fáceis de serem executadas. Reconheço. Exigem de nós grande desprendimento e imenso exercício de humildade.
É evidente que não se deve pensar no perdão apenas na ocasião do Natal. Ele deve ser pensando, estimulado, treinado, praticado sempre, segundo a segundo, dia a dia, ano a ano de toda a vida. Esta época natalina é, no entanto, propícia ao extremo para a prática efetiva. A atmosfera de proximidade toma conta de todos, o desejo de estar bem com o próximo fica exaltado. Aproveitemos para iniciar essa bonita e essencial prática, a do perdão incondicional.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca
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